Medidas de eficiência nos prédios permitiriam poupar 830 milhões/ano - associação

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O presidente da Associação Nacional para a Qualidade nas Instalações Prediais (ANQIP), Silva Afonso, estima que a adoção de medidas com vista à eficiência hídrica nos prédios possa levar à poupança de 830 milhões de euros por ano.

"Atualmente, só nas redes prediais, as ineficiências são estimadas em 830 milhões de euros, valor este que pode ser recuperado pela adoção de medidas simples de eficiência hídrica em edifícios", referiu à agência Lusa.

Segundo Armando Silva Afonso, em 2001, o desperdício global de água em Portugal foi estimado acima dos três mil milhões de metros cúbicos por ano, sendo que, no ciclo urbano (redes públicas e prediais), representava um valor 240 milhões de metros cúbicos por ano.

"Em termos de volume não terá havido um agravamento significativo, mas em termos económicos o valor destas perdas e ineficiências será hoje substancialmente superior", frisou.

De acordo com o Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água (PNUEA), o desperdício total representava 0,64 por cento do PIB (Produto Interno Bruto) e quase 750 milhões de euros em 2001, correspondendo cerca de metade deste valor ao ciclo urbano. No entanto, estudos da ANQIP "mostram que este valor estava subvalorizado".

O docente da Universidade de Aveiro lembrou que "Portugal está em risco de ter um significativo stress hídrico dentro de 10/15 anos" e que já foi alertado por instâncias internacionais para a necessidade de tomar medidas urgentemente.

"A aplicação de diversas medidas de eficiência hídrica foi já equacionada há 11 anos (no PNUEA), mas, na realidade, pouco se fez no país a este nível", lamentou.

Contou que, no que respeita aos edifícios, apenas algumas Organizações Não Governamentais, como a que preside, têm desenvolvido medidas a este nível.

"Algumas das medidas implementadas pela ANQIP têm merecido grande reconhecimento internacional e estão inclusivamente a ser copiadas em alguns países, embora permaneçam sistematicamente ignoradas pelas entidades governativas em Portugal", acrescentou.

Segundo Silva Afonso, "a maior parte dos dispositivos prediais utilizados em Portugal consome muito mais do que o necessário", sobretudo os autoclismos e os chuveiros, que são os responsáveis por perto de 60 por cento do consumo.

"Os respetivos gastos podem ser facilmente reduzidos em cerca de 40 por cento, em média, o que pode representar uma diminuição de 20 por cento na fatura de água", explicou.

Estudos da ANQIP e de outras entidades portuguesas "apontam para um potencial médio de poupança de 30 por cento nos edifícios em Portugal, ou seja, cerca de 390 milhões de metros cúbicos por ano", o que representaria também uma economia adicional de energia na rede pública (nomeadamente em captações, bombagens e tratamentos) e, no caso dos chuveiros, no aquecimento de água sanitária.

A ANQIP criou um sistema de rotulagem da eficiência hídrica de produtos, para assim apoiar os consumidores na altura da aquisição.

Tem também realizado auditorias de eficiência hídrica em vários tipos de edifícios, como estádios, hospitais e centros comerciais, conseguindo nalguns casos "economias da ordem dos 50 por cento no consumo de água".

Recentemente, uma campanha na Comunidade Intermunicipal de Aveiro conduziu a uma poupança superior a 20 mil metros cúbicos por ano em duas dezenas de edifícios.

"As medidas implementadas para obter estas poupanças são de reduzido custo, com um período de retorno do investimento médio da ordem dos dois anos", esclareceu.

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