Músicos portugueses alertam em disco para preconceito contra doenças mentais

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Vinte bandas e artistas portugueses juntaram-se num movimento de alerta para o preconceito contra as doenças mentais e gravaram, em parcerias inéditas, dez temas para uma colectânea a editar na segunda-feira.

"Movimento UPA - Unidos Para Ajudar" reúne oito temas inéditos e duas versões que dão corpo a palavras associadas à discriminação das doenças mentais e interpretadas por nomes como Mariza, Xutos & Pontapés, Sérgio Godinho, Camané, Dead Combo, Clã, Mão Morta e José Mário Branco.

A ideia deste projecto partiu da associação Encontrar+se, fundada há dois anos, e do guitarrista Zé Pedro e consistiu na criação de parcerias inéditas entre vários artistas portugueses para a criação de temas originais.

O desafio era que todos os meses fosse lançada uma música na Internet, a partir de um tema proposto pela associação.

O álbum a editar segunda-feira é o somatório de todas músicas lançadas desde Janeiro e inclui ainda as ilustrações associadas a cada uma delas e um DVD com todos os telediscos produzidos.

Em declarações à agência Lusa, Filipa Palha, da Associação Encontrar+se, fez um balanço muito positivo deste projecto, apesar de só terem contabilizado cerca de 700 descarregamentos na Internet e angariado pouco mais de dois mil euros.

"A forma como os artistas aderiram ao projecto foi extraordinária e o objectivo de fazer com que se falasse das doenças mentais foi conseguido", disse a responsável.

Zé Pedro, guitarrista dos Xutos & Pontapés, disse à Lusa que este era um projecto difícil de concretizar, porque foi preciso conciliar o trabalho de muitos artistas.

"Todos aceitaram o desafio e surgiram coisas inesperadas, mas eu penso que agora é que o objectivo do Movimento UPA se vai começar a cumprir com a edição do disco", sublinhou Zé Pedro.

A colectânea, produzida por Nuno Rafael e editada pela Sony Music, abre com "Alguém me ouviu (mantém-te firme)", sobre desespero e esperança, que juntou pela primeira vez a fadista Mariza e o rapper Boss AC, com Bernardo Couto na guitarra portuguesa.

Os Xutos & Pontapés juntaram-se aos Oioai para gravar "Pertencer", sobre a culpa e a tolerância, enquanto Jorge Palma cantou com os Clã sobre solidão e fraternidade em "Convite" e os Mesa colaboraram com Rui Reininho em "BI.polar", para falar de medo e compreensão.

Com o Movimento UPA "conseguimos dar um bocadinho mais de voz a uma coisa que é parte do que somos, mas que se esconde, que não é falado e que não é prioridade política", disse Filipa Palha, referindo-se às doenças mentais, aos estados depressivos, à esquizofrenia.

Dos músicos que se associaram a esta causa, destacam-se ainda os Mão Morta, que gravaram com José Mário Branco o tema "Loucura", e Sérgio Godinho, desafiado para regravar com Xana um tema seu antigo, "O rei vai nu", ambos sob a dualidade culpa/tolerância.

A colectânea fecha com Camané, que reinventa com os Dead Combo o tema "Vendaval", conhecido anteriormente na voz de Tony de Matos.

As receitas das vendas do álbum reverterão para a associação Encontrar+se, que luta actualmente por um espaço de atendimento a quem lhe solicita ajuda.

Zé Pedro não descarta ainda a hipótese de realização de um concerto com todos os artistas convidados a participar neste movimento.

SS.


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