Politécnico de Beja cria sistema de comunicações seguras destinado a "altas chefias do Estado"

| País

O Instituto Politécnico de Beja (IPBeja) criou um sistema "inovador" que permite chamadas e troca de mensagens escritas (SMS) entre telemóveis de forma segura e que se destina a ser usado por "altas chefias do Estado" português.

O "CryptoChannel", um "produto inovador e totalmente português", permite "comunicações de voz e SMS cifradas e seguras entre telemóveis correntes e inteligentes" ("smartphones") em que for instalado, explicou hoje à agência Lusa Rui Silva, do Laboratório UbiNET - Segurança Informática e Cibercrime do IPBeja.

Segundo Rui Silva, o "CryptoChannel" é consequência de um sistema criado pelo UbiNET a partir de um "desafio" lançado pelo Gabinete Nacional de Segurança (GNS) e que resultou num contrato entre as duas instituições para a criação do produto. Para "garantir a idoneidade e a isenção" do sistema, o "CryptoChannel" foi criado em parceria com o GNS e por investigadores do IPBeja credenciados por aquele serviço do Estado, responsável pela segurança da informação classificada a nível nacional, explicou.

A versão do sistema contratualizada com o GNS será entregue em abril e destina-se a garantir a segurança de comunicações de voz e SMS entre telemóveis usados por "altas chefias do Estado" português, disse.

A segurança das comunicações é assegurada por duas cifras recomendadas internacionalmente, ou seja, RSA, com chaves de 3.072 bits, e AES, com chaves de 256 bits, que são "extremamente seguras".

Devido às potencialidades do sistema, que "tem qualidade e pode ser útil a muitas organizações", os investigadores criaram uma empresa para desenvolver o "CryptoChannel" e "agilizar" a comercialização no mercado, explicou.

A empresa UbiXploit, da qual o IPBeja é sócio e que tem cinco funcionários, registou a marca "CryptoChannel", que corresponde a um sistema comercial, além do contratualizado com o GNS.

A alternativa seria, através de transferência de conhecimento, ceder o sistema a uma empresa para o comercializar, mas, "tendo em conta a necessidade de financiamento do IPBeja e que os investigadores querem determinar o destino do seu trabalho", a equipa decidiu criar a UbiXploit.

Através da empresa, os investigadores, com base em eventuais necessidades de potenciais clientes, estão a introduzir novas funcionalidades no sistema, como a partilha cifrada e segura de fotografias ou outros documentos entre telemóveis.

O "botão de pânico", que permite enviar uma mensagem escrita numa situação de emergência, e as hipóteses de apagar ou recuperar de forma remota todos os dados de um telemóvel em caso de extravio, perda ou roubo são outras das novas funcionalidades do sistema.

O sistema funciona em "smartphones" de marcas que usem o sistema operativo "Android" e a empresa está a desenvolver uma versão para a marca iPhone, que usa o sistema operativo "iOS".

O "CryptoChannel" é "inovador" e "diferencia-se" de sistemas concorrentes, porque será comercializado em duas modalidades no que respeita à localização do servidor de comunicações.

Numa das modalidades, o servidor é adquirido pelo cliente e funciona nas suas instalações e, na outra, a única permitida pelos outros sistemas concorrentes, é alugado e fica nas instalações da empresa, explicou Rui Silva.

Para comercializar o "CryptoChannel", a UbiXploit, que "não tem, nem quer ter competências comerciais", recorreu a um parceiro comercial, o qual, "mantendo a identidade do IPBeja e dos criadores do sistema", está em conversações com distribuidores deste tipo de produtos em vários países, como África do Sul, Brasil, China e Espanha.

Por outro lado, o IPBeja quer manter associado ao produto, que deverá ser comercializado, o nome do GNS, o qual lançou o desafio que permitiu criar o sistema.

Tópicos:

Laboratório UbiNET Informática Cibercrime, Politécnico, UbiXploit,

A informação mais vista

+ Em Foco

O editor de Política Internacional da RTP, Ricardo Alexandre, comentou a sentença do antigo general sérvio-bósnio.

Foi considerado o “pior dia do ano” em termos de fogos florestais, com a Proteção Civil a registar 443 ocorrências. Morreram 45 pessoas. Perto de 70 ficaram feridas. Passou um mês desde o 15 de outubro.

    Todos os anos as praias portuguesas são utilizadas por milhões de pessoas de diferentes nacionalidades e a relação ambiental com estes espaços não é a mais correta.

      Uma caricatura do mundo em que vivemos.