Porto discute como evitar "desconforto" no atendimento a pessoas com deficiência

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Desmistificar situações de desconforto no atendimento em espaços culturais a uma pessoa cega ou surda ou que se desloque em cadeira de rodas é o objetivo do curso que a Acesso Cultura promove a 01 de junho no Porto.

"Devemos oferecer ajuda? Quais as necessidades específicas deste visitante? De que forma podemos promover a inclusão sem sermos paternalistas? Se perguntar a uma pessoa cega se está a ver, estou a ofendê-la?" - são algumas das questões a que o curso "Atendimento a pessoas com necessidades especiais" procurará responder.

Ao longo de um dia, no Teatro Carlos Alberto, a Acesso Cultura vai junto de técnicos de museus, autarquias, bibliotecas, entre outros equipamentos, tentar "dar um passo para evitar o medo no contacto com pessoas com necessidades especiais", disse à Lusa a diretora executiva desta associação, Maria Vlachou.

"Há falta de preparação, existe algum desconforto. Com o curso pretende-se ajudar a que a relação se torne mais confortável, mais fluida e o mais normal possível. Há pequenas coisas que se os técnicos dos espaços não tiverem dicas, técnicas, testemunhos de pessoas com necessidades pessoais, podem transformar-se em barreiras de comunicação", descreveu a diretora.

O curso vai tratar três públicos diferentes - o visitante com mobilidade condicionada, a pessoa cega ou com baixa visão e o público surdo - estando na forja, no futuro, abordar questões relacionadas com o atendimento a pessoas com deficiência intelectual.

No caso da mobilidade condicionada, descreveu Maria Vlachou, os formandos aprenderão, por exemplo, que tipo de apoio podem dar a uma pessoa em cadeira de rodas. "Às vezes as pessoas querem transitar da sua cadeira para uma cadeira fixa de uma sala de teatro. Às vezes precisam de acompanhamento até à casa de banho", enumerou.

Quanto ao público cego, os formadores procurarão dar "dicas" de como acompanhar de forma segura a pessoa cega ao seu lugar ou a algum outro espaço do equipamento.

Já para tornar "mais confortável" o contacto entre uma rececionista, um assistente de sala ou um guia cultural e um visitante surdo, ao longo do curso serão ensinadas algumas primeiras palavras em Língua Gestual Portuguesa (LGP): "bilhetes", "quanto custa?", "casa de banho", por exemplo.

"Esta é uma área imensa. Em Lisboa [num curso semelhante que decorreu em março] inscreveram-se técnicos de teatros, museus e centros de ciência e sentimos que as pessoas saíram com um sorriso diferente porque foi dado aquele primeiro pequeno passo para afastar a preocupação", descreveu Maria Vlachou.

Na edição programada para o Porto inscreveram-se, para já, técnicos de câmaras da região Norte, bem como do Museu dos Transportes e Comunicações, e profissionais de agências de viagens.

Entre os formadores destacam-se Margarida Ferreira Gomes da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), Cláudio Fonseca da Associação de Surdos do Porto (ASP) e Ana Pinheiro, mestre em Psicologia da Saúde e licenciada na área do turismo.

A Acesso Cultura é uma associação que procura promover a melhoria das condições de acesso, físico, social e intelectual, aos espaços culturais e à oferta cultural.

Para novembro está a ser preparado um curso sobre planos de emergência e evacuação para pessoas com necessidades especiais.

 

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