"Problemas antigos" mudam-se para a nova sede da Polícia Judiciária

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A nova sede da Polícia Judiciária em Lisboa podia ser o símbolo de “uma mudança de ciclo” ou de um “virar de página”, mas o edifício agora inaugurado não disfarça “os mesmos problemas antigos” – foi assim que o presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal viu a cerimónia desta terça-feira, que contou com uma representação governamental de peso. Carlos Garcia quis contrariar o tom adotado quer pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, quer pela ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, denunciando a persistência de “trabalho sub-remunerado e sem perspetiva de carreira”.

É “misto” o “sentimento” da estrutura que representa os profissionais de investigação criminal perante o novo edifício-sede da Polícia Judiciária, uma construção de 87 milhões de euros que acaba de ser inaugurada pelo primeiro-ministro e pela ministra da tutela. Isto porque esta “podia ser uma ocasião-chave para uma mudança de ciclo, para um virar de página na PJ”. Mas o “edifício novo” não vem pôr cobro aos “mesmos problemas antigos”. Quem o afirma é Carlos Garcia, presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC).
Agregando numa única estrutura física os diferentes serviços da PJ, os 80 mil metros quadrados do novo edifício-sede erguem-se no terreno das anteriores instalações da Faculdade de Medicina Veterinária. A obra, a cargo da OPWAY, custou 87 milhões de euros.

A Judiciária passa a dispor de dois auditórios com cabinas de tradução simultânea, um heliporto e uma sala de crise. Por acabar está ainda o Laboratório de Polícia Científica e duas carreiras de tiro. Estes trabalhos deverão ficar concluídos até maio.


Em declarações recolhidas pela Lusa, o dirigente sindical assinalou mesmo que, ao longo dos últimos cinco ou seis anos, a perceção predominante entre os profissionais foi a de que inaugurar o novo edifício-sede seria o “único objetivo” a concretizar. Uma ideia posteriormente reforçada em entrevista à RTP Informação: na Tarde Informativa desta terça-feira, Carlos Garcia quis colocar a ênfase no “capital humano” da Judiciária.

“Todos os problemas de há mais de uma década estão por resolver”, acentuou o sindicalista, para concretizar que os profissionais “continuam a trabalhar à noite de forma gratuita”. A exercer, em suma, “um trabalho sub-remunerado e sem perspetiva de carreira”.

Défice de recursos humanos e técnicos, um sistema informático ultrapassado e uma frota automóvel antiga são exemplos enumerados pela ASFIC. E Carlos Garcia antevê dificuldades acrescidas a breve trecho, dado o atual contexto de restrições orçamentais.
“Um exemplo a seguir”

A posição da ASFIC contrasta com o cenário montado e os discursos preparados para a inauguração. Se o diretor nacional da Polícia Judiciária tratou de salientar, durante a cerimónia, que os 87 milhões despendidos na construção do edifício-sede podem ser resgatados com oito meses de investigação a crimes económico-financeiros e à corrupção, pelo que constituíram um “bom investimento”, a ministra da Justiça estimou que Almeida Rodrigues “até foi modesto”.

Segundo Paula Teixeira da Cruz, o combate movido pela Judiciária à fraude e ao crime económico, nos últimos oito meses, representou 130 milhões de euros. Já no cair do pano sobre a inauguração, a governante disse que o Governo assumiu “a obrigação de facultar à PJ” um novo quartel-general que reunisse os serviços até agora espalhados por seis prédios da capital.

Também a titular da pasta da Justiça admitiu a existência de “dificuldades “ e de “diminuições remuneratórias” na PJ. Todavia, propugnou que mesmo num quadro de restrições a polícia de investigação criminal continua a ser “um exemplo a seguir”.


Foto: Manuel de Almeida, Lusa

Por seu turno, Pedro Passos Coelho tratou de se referir à Justiça como um sector de “grande consenso” entre a sociedade portuguesa: “É uma das áreas essenciais à preservação e aprofundamento de um Estado de Direito e de um Estado moderno”.

“Temos tido dificuldades orçamentais grandes. Isso não nos impediu de realizar este projeto”, argumentou o primeiro-ministro, que salientaria ainda o “prestígio” da Polícia Judiciária “em Portugal e fora de Portugal”.

Tópicos:

ASFIC, Carlos Garcia, Edifício-sede, Inauguração, Investigação criminal, Lisboa, Ministra da Justiça, PJ, Paula Teixeira da Cruz, Pedro Passos Coelho, Polícia Judiciária, Primeiro-ministro,

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