Professores do 1.º ciclo pouco à vontade nas tecnologias da informação

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Os professores têm ainda "um longo caminho a percorrer" até dominarem o uso das tecnologias de informação e comunicação (TIC) nas salas de aula, revela um estudo sobre utilização da Internet nas escolas do primeiro ciclo.

De acordo com o relatório de avaliação do programa de acompanhamento da utilização educativa da Internet nas escolas públicas da antiga primária, apenas nove por cento dos docentes adquiriram um Diploma de Competências Básicas (DCB), apesar de não ser esse o objectivo do Internet@EB1.

"Para dizermos que as TIC estão claramente enraizados nas salas de aula há um caminho a percorrer ao nível da formação dos professores", afirmou à Agência Lusa João Pedro Ponte, coordenador do relatório a ser apresentado hoje em Lisboa.

O programa foi lançado em Fevereiro de 2002 pelo então Ministério da Ciência e Tecnologia, em colaboração com a Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN), Escolas Superiores de Educação e algumas Universidades.

No entanto, o responsável salienta que aquele não era um dos objectivos "prioritários" do programa, mas que "é necessário continuar a formação de professores nas TIC, para que depois as possam utilizar dentro da sala de aula, na sua prática profissional".

O relatório indica ainda que no ano lectivo 2004/05, 45.339 estudantes do 4º ano da antiga primária, ou seja 65 por cento do total, adquiriram o Diploma de Competências Básicas e que 6.912 das 7.710 escolas do 1º ciclo têm página na Internet.

"É, de facto, um número muito elevado. A página é essencialmente uma forma das escolas divulgarem as actividades feitas pelos respectivos alunos, utilizando as tecnologias de informação e comunicação", disse, salientando que, no entanto, apenas 3.715 escolas actualizam regularmente a sua página.

Outra das conclusões do estudo indica que "em termos gerais [o Programa Internet@EB1], parece ter contribuído de modo inequívoco para aumentar o uso educativo das TIC nas escolas do 1º ciclo do ensino básico, para fins educativos".

O programa foi ainda afectado por um conjunto de dificuldades, mas as de ordem técnica e logística, como a transição da ligação analógica para digital, "atrapalharam e muito o desenvolvimento das actividades", segundo João Pedro Ponte, apesar de terem diminuído ao longo dos três anos.

Outra das dificuldades, aponta o relatório, prende-se com a indefinição inicial quanto à continuação do programa e do consequente arranque tardio do mesmo, o que impediu uma programação atempada da intervenção junto das escolas.

"As actividades acabaram por ser realizadas numa fase do ano lectivo em que as escolas estão pouco disponíveis (e revelam algumas dificuldades) para colaborarem em projectos desta natureza", lê-se no estudo.

Outra dificuldade foi a ausência formal e efectiva do Ministério da Educação e das Direcções Regionais, facto que não terá estimulado a participação e envolvimento das escolas e dos professores, "contribuindo para algum desinvestimento destes actores em todo o processo".

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