Professores voltam a contestar reforma do ensino

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Professores voltam a contestar reforma do ensino

Os professores criticaram de novo o estatuto da carreira docente e o processo de avaliações | Manuel Almeida, Lusa

Centenas de professores, que se vestiram de negro como forma de protesto, saíram às ruas de Lisboa para contestar a reforma do ensino promovida pelo Executivo socialista. A manifestação foi convocada por três associações, fora do âmbito sindical. Quiseram chamar a atenção para o que consideram ser uma legislatura de medidas "negativas e prejudicais" para a escola pública.

"Os movimentos independentes de professores estão a ser consequentes com aquilo que defenderam e fizeram ao longo desta legislatura e tinham que dar de facto um sinal à opinião pública de que persiste o descontentamento nas escolas", afirmou Octávio Gonçalves do movimento Promova.

A manifestação foi organizada por três movimentos não sindicais: a Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino (APEDE); o Movimento Mobilização e Unidade dos Professores (MUP) e o Promova.

"Apesar do arrependimento de última hora - por razões meramente eleitoralistas do primeiro-ministro - as políticas educativas mantêm-se e não há uma admissão, por este Governo, dos erros que foram cometidos nas políticas que pretenderam implementar nas escolas", disse Octávio Gonçalves.

"Não haja ilusões, a maioria dos professores não vai votar no PS de Sócrates", acrescentou Octávio Gonçalves, considerando que a 27 de Setembro (dia das legislativas) será o verdadeiro protesto dos docentes.

Envergando t-shirts pretas com as frases "Adeus Milu, os professores não querem o PS de Sócrates" e "Estou de Luto pela Educação, os docentes deslocaram-se a três locais emblemáticos da capital.

Os professores foram ao Palácio de Belém para mostrar o "claro descontentamento" pela forma como Cavaco Silva interveio no campo da Educação.

Na Avenida 5 de Outubro, local do Ministério da Educação, contestaram a actuação da ministra Maria de Lurdes Rodrigues, dos seus secretários de Estado, assim como do primeiro-ministro José Sócrates.

Na Assembleia da República, realizaram um minuto de silêncio em "repúdio das políticas educativas do Governo de José Sócrates". "Os professores não esquecem" e "não existe perdão para quem destrói a educação", gritaram cerca de 300 professores.

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