Universidade de Aveiro estuda nova técnica de combate à erosão após incêndios

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Uma equipa de investigação da Universidade de Aveiro (UA) está a estudar a aplicação de uma técnica para reduzir a erosão dos solos florestais onde ocorreram incêndios, anunciou hoje fonte universitária.

O método inovador, denominando "mulching" consiste na distribuição pelos solos consumidos pelo fogo de uma camada de restos florestais triturados, que a equipa científica crê poder reduzir, em mais de 40 por cento, a escorrência de águas nos terrenos ardidos.

"Com a vegetação e a manta morta da superfície dos terrenos transformados em cinzas o solo fica extremamente vulnerável à ação da erosão", explica Sérgio Alegre, investigador do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da UA, dando conta de que "há terrenos que chegam a perder várias dezenas de toneladas de solo por hectare, durante o primeiro ano, depois de um incêndio".

As implicações negativas vão desde a perda de fertilidade e produtividade dos solos até à destruição dos ecossistemas e bens a jusante das áreas afetadas, como caminhos, pontes, praias fluviais ou propriedades, e mesmo redução da capacidade das albufeiras das barragens pela acumulação de sedimentos.

"Após um incêndio é preciso avaliar as zonas onde há risco de erosão", aponta Sérgio Alegre, explicando que o problema não se coloca em zonas sem declive ou áreas ardidas com uma baixa intensidade do fogo, onde as árvores ainda possuem folhas nas copas que, depois de caírem, fornecem de uma proteção natural ao solo.

O investigador salienta que matérias-primas para triturar e aplicar não faltam em Portugal, como cascas da madeira utilizada pelas fábricas de pasta de papel: "é um material muito bom pois tem fibras longas que se adaptam ao solo formando uma espécie de rede que retém água e sedimentos"

O "mulching" pode igualmente fazer uso do que sobra das podas e de restos derivados das limpezas dos matos, dos jardins ou das bermas das estradas que, na maioria dos casos, são enviados para lixeiras.

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