Associação de praças reclama demissão do Governo

| Política

É preciso recuar 38 anos para encontrar outro caso em que os militares tenham feito ouvir a sua voz sobre a situação política
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A Associação de Praças (AP) das Forças Armadas juntou-se ao coro daqueles que protestam contra as medidas de austeridade impostas pelo Governo de Pedro Passos Coelho. 38 anos depois de terem deposto pela força das armas um governo [de Marcelo Caetano] voltam agora a exigir a demissão de outro [de Passos Coelho].

Em 1973, insatisfeitos com questões de carreira e com uma participação dolorosa numa guerra colonial os militares de baixa patente iniciaram um movimento interno de contestação que haveria de conduzir ao movimento das Forças Armadas que no dia 25 de Abril de 1974 derrubou o governo de Marcelo Caetano pondo fim a um regime que se perpetuara no poder durante 48 anos.

Depois de, num primeiro ano, terem tido uma grande atividade política – o que lhes suscitou enormes criticas – os militares regressaram aos quartéis e pacificados reconduziram-se ao cumprimento estrito das funções que lhes competia.

Trinta e oito anos depois de terem saído para a rua numa ação que se imortalizou pela Revolução dos cravos, eis que o descontentamento volta a fazer-se-sentir entre os militares e novamente nas patentes mais baixas.

Esta segunda-feira, a Associação de Praças veio publicamente pedir a demissão do primeiro-ministro, acusando o Governo de coligação PSD/CDS-PP de estar a "destroçar o país" e de "utilizar o povo português como cobaia de experiências sociais" com as novas medidas de austeridade.

"É por demais evidente o falhanço das políticas impostas por este Governo, que se baseou na desvalorização do trabalho e dos direitos sociais, impondo mais e mais austeridade, mais desemprego, mais precariedade", pode ler-se no comunicado da afirma a AP tornado público.

A AP não tem dúvidas em proclamar não querer "ficar ligada a mais este vil ataque que está a ser perpetrado" salientando que "não faz parte da condição militar iludir as situações" e "utilizar o povo português como cobaia de experiências sociais".

"Senhor primeiro-ministro, a bem de Portugal e dos portugueses, faça-lhes um favor, demita-se e já agora emigre", exorta a AP.

A associação de militares acusa o Governo de Passos Coelho de ter transformado "os pobres deste país em miseráveis e a classe média em novos pobres" e de dar origem a "um país destroçado, sem rumo e a caminhar para o abismo".

"Não podemos permitir que, ao sabor de qualquer troika, sejam retirados direitos legalmente consagrados na Constituição da República Portuguesa que jurámos defender e não podemos nem devemos permitir que uma nação como a nossa com mais de 900 anos definhe porque uns quantos senhores decidiram fazer de Portugal uma colónia dos interesses da alta finança europeia e mundial", advoga a AP.

As praças das Forças Armadas invocam a obrigação de "um juramento de defender a Pátria e guardar e fazer guardar a Constituição e as Leis da República" para repudiar "veementemente as políticas que estão a ser seguidas pois contradizem" tudo o que juraram "defender".

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