"De uma penada desvirtualizou-se a lei previdencial da Segurança Social que levou meio século no nosso país a consolidar-se", enfatiza Bagão Félix

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De uma penada desvirtualizou-se a lei previdencial da Segurança Social que levou meio século no nosso país a consolidar-se, enfatiza Bagão Félix

No Conselho Superior da Antena 1 o centrista, antigo ministro das Finanças e também da Solidariedade Social e do Trabalho, criticou o aumento da carga fiscal e a forma como a segurança social está a ser usada instrumentalmente, assinalando que as medidas anunciadas pelo Governo são injustas para as famílias, nomeadamente a taxa social única, que só irá aumentar o lucro das grandes empresas e não beneficiando os consumidores como o ministro das Finanças disse acreditar.

Bagão Félix sublinha que as medidas anunciadas pelo Governo só irão provocar uma retração do consumo que vai suplantar totalmente os efeitos de criação de emprego.

Avisa que a Segurança Social não pode ser usada instrumentalmente para fins que não sejam os da proteção contra os riscos sociais e esclarece que o aumento de 11 para 18% da contribuição
para a Segurança Social dos trabalhadores dos setores público e privado "não é uma taxa é um imposto puro e duro" e anota, "definitivamente deixa de haver uma relação direta entre o esforço, que é a taxa, e as correspondentes prestações sociais que as pessoas recebem, prestações já de si fragilizadas pela crise".

Bagão Félix vai mais longe e acentua, "de uma penada desvirtualizou-se a lei previdencial da Segurança Social que levou meio século no nosso país a consolidar-se".

Quanto à questão da taxa social única, o comentador do Conselho Superior da Antena 1, indica que se trata de uma medida ineficiente salientando que a ideia do ministro das Finanças de que esta medida vai surtir efeito nos consumidores baixando o preço dos serviços e produtos é "romântica", e questiona: "nos setores da energia, banca, seguros, combustíveis a descida da taxa vai repercutir-se no consumidor? Não acredito. É sim uma enorme injustiça para as famílias que perdem 7 por cento do rendimento disponível para financiar o aumento de lucros das empresas".

Bagão Félix indica também que o silêncio do CDS/PP mostra algum incómodo, estado que o PSD também tem, entendendo que as medidas que estão a ser tomadas são dolorosas, algumas são erradas, mas adianta, que se o PS se estivesse no Governo teria igualmente de tomar decisões difíceis.

O centrista acrescenta que "uma coligação não é uma coisa monolítica, e apesar de tudo, face à doutrina e aos programas dos partidos, a estabilidade governativa é muito importante".

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