Durão sem planos confirma que perdurar em Bruxelas "está fora de questão"

| Política

“Nunca ninguém fez mais do que dez anos à frente da Comissão Europeia e nestas condições tão exigentes”, assinalou Durão Barroso em Dublin, à margem do congresso do PPE
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O cenário de um terceiro mandato consecutivo de Durão Barroso na presidência da Comissão Europeia “está fora de questão”. Foi desta forma que o antigo primeiro-ministro português confirmou em definitivo, esta sexta-feira, o epílogo de uma década à frente do ramo executivo da União. Em Dublin, onde decorre o congresso do Partido Popular Europeu, o barão laranja que em 2004 trocou o Governo de Lisboa pelos gabinetes de Bruxelas afiançou também que, por agora, não tem “quaisquer planos” para o pós-outubro de 2014.

“Não. Está fora de questão” – Durão Barroso deu assim como descartado o cenário de um novo mandato em Bruxelas. Em declarações recolhidas pela agência Lusa e pela TVI, o antigo primeiro-ministro português sublinhou o facto de estar há uma década à frente do Executivo comunitário, um cargo “extremamente duro e difícil”, nas suas palavras.
Durão Barroso disse ter sido sondado por “alguns chefes de governo” sobre a possibilidade de se conservar à frente da Comissão. Para insistir: “Nunca ninguém fez mais que dez anos à frente da Comissão Europeia e nestas condições tão exigentes”.


“Foram cinco anos de crise como nunca tinha acontecido e eu acho que o bom senso manda que a pessoa, ao fim de algum tempo, faça outra coisa. Está absolutamente fora de questão”, respondeu Durão, questionado pelos jornalistas à entrada para o congresso do Partido Popular Europeu, em Dublin, que tratará de eleger o candidato do clã de centro-direita à presidência da Comissão Europeia. Perfila-se o luxemburguês Jean-Claude Juncker.

Quanto à possibilidade de um impasse no seio do Conselho Europeu, quando chegar o momento de designar o novo presidente da Comissão, depois das eleições, Durão lembrou que terá de haver negociação: “Em democracia é sempre preciso ter depois as maiorias, seja nos parlamentos, seja através do povo diretamente. O que se passa aí é que as regras da União Europeia são diferentes, na medida em que somos vários Estados, não somos um Estado”.
“Fiz tudo o que podia por Portugal”
Durão, apontado amiúde como potencial candidato presidencial do PSD de Passos Coelho, diria ainda não ter, neste momento, “quaisquer planos” para o seu futuro político. Ao mesmo tempo, em jeito de balanço curricular, sustentou que fez “tudo o que podia Portugal” enquanto presidente da Comissão.

“Agora estou concentrado até outubro, depois logo se verá. Portugal é o meu país, mas neste momento não tenho planos, não tenho quaisquer planos”, frisou Barroso, para então se mostrar tranquilo quanto à forma como o Executivo comunitário tem tratado o dossier da crise portuguesa.

“Devo dizer que os momentos que mais sofri não foram tanto com a crise do euro, mas com o que se passava no nosso país, e agora aqui na Irlanda têm reconhecido o que fiz pela Irlanda, na Grécia também acabaram de me distinguir com outra condecoração, se os outros países reconhecem que fiz por eles o máximo que podia fazer, será que não o faria pelo meu próprio país?”, questionou-se.

“Fiz tudo o que podia por Portugal, nesse aspeto tenho a consciência absolutamente tranquila”, continuou o dirigente comunitário, acrescentando que, “se não fosse um português à frente da Comissão Europeia, a orientação terá sido mais no sentido do rigor, sem a dimensão social, sem a dimensão do equilíbrio entre a consolidação e o apoio ao crescimento”.

Tópicos:

Bruxelas, Comissão Europeia, Durão Barroso, Jean-Claude Juncker, PPE, PSD, Partido Popular Europeu, Portugal, Presidenciais, União Europeia,

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