Governo omitiu à UNESCO informação sobre barragem de Foz Tua

| Política

O Partido Ecologista "Os Verdes" acusou hoje o Governo de ter enviado à UNESCO informação "omissa e contraditória" relativa à construção da barragem de Foz Tua, pretendendo "esclarecer" o assunto junto do Comité Mundial daquele organismo.

"Os Verdes vão solicitar hoje mesmo uma reunião urgente ao Comité Mundial da UNESCO, em Paris, para clarificar toda a informação relativa à construção da barragem", afirmou, em conferência de imprensa, no Porto, a dirigente do partido Manuela Cunha.

Em causa está, anunciou, o projeto de deliberação e a "inconsistência do documento sobre o estado de conservação do Alto Douro Vinhateiro que a sustenta", apresentados pelo Centro do Património Mundial para a próxima reunião do Comité Mundial da UNESCO que decorrerá em junho, no Camboja.

O partido ecologista está "preocupado com a aparente resignação da UNESCO", tendo em conta que o documento em causa "afasta-se muito do relatório da missão conjunta realizada em julho e agosto e chega mesmo a desvirtuar este relatório".

Para "Os Verdes", esta "aparente mudança de rota da UNESCO advém de um zelo diplomático que não tem limites", do qual "o antigo embaixador de Portugal Seixas da Costa se vai gabando no seu blogue".

Em julho de 2012, o Comité do Património Mundial da UNESCO pediu ao Estado português para "abrandar significativamente" a construção da barragem de Foz Tua até à realização de um estudo sobre os impactos da hidroelétrica no Alto Douro Vinhateiro.

A título de exemplo, Manuela Cunha apontou que, no documento agora conhecido e que será deliberado no Camboja, "é referido que o Estado deu como realizados 60% dos trabalhos do `canal de navegação` (subentendido ao Douro) e que se espera pela época seca para acabar a obra", quando o ex-responsável da Delegação Norte e Douro do Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos (IPTM) afirmou, em fevereiro, que "esta intervenção está em fase de estudo prévio".

"Toda esta matéria vai ser esclarecida junto da UNESCO", garantiu Manuela Cunha, adiantando também que "Os Verdes" vão entregar no curto prazo "uma queixa ao provedor da Justiça e apelar à sua intervenção sobre todo o decorrer do processo".

Segundo a dirigente, "`Os Verdes` não se dão por convencidos nem por vencidos" e pretendem continuar a lutar em defesa da região.

A dirigente reafirmou que o Património Mundial, atribuído em 2001, "não é compatível" com a barragem e que se esta "se vier a realizar, o Douro perderá o título de Património Mundial da Humanidade num futuro próximo".

A conferência de imprensa de hoje contou com a presença de representantes de associações de defesa da Linha do Tua.

 

 

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