"País está a ficar destroçado" com a austeridade, afirma Manuela Ferreira Leite

| Política

A ex-ministra das Finanças de Cavaco Silva criticou duramente a atual governação do PSD/CDS
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Manuela Ferreira Leite arrasou a política económica e financeira do governo de Pedro Passos Coelho e de Vítor Gaspar, a qual considera estar a "destroçar o país". Em entrevista à TVI, a ex-ministra das Finanças de Durão Barroso exigiu explicações sobre a origem das medidas de austeridade e apelou ainda aos deputados para "votarem o Orçamento de Estado segundo a sua consciência" e os portugueses a "fazerem cada um o que tem de fazer".

Para a ex-ministra das Finanças, seria importante saber se as recentes medidas de austeridade anunciadas foram "impostas pela troika" ou não.

"Não sabemos quais as medidas que são nossas e quais as que são da troika", afirmou a antiga líder do PSD. "O meu remédio nunca seria muito diferente porque estou consciente que muita da nossa orientação é externa", reconheceu. "Mas aquilo que eu fosse obrigada a fazer e que eu considerasse pernicioso para o meu país, no mínimo dizia-o aos portugueses," garantiu, sublinhando que "isto não é social-democracia".

"E devo dizer que berrava por todos os lados nomeadamente nas instâncias europeias, dizendo eu tenho estado a portar-me bem, tenho feito tudo direitinho, eu tenho condições excecionais no meu pais para fazer tudo bem (...) e em cima disso nem me ouvem? Para que é que me serviu estar a ser bem comportada?" interrogou-se Ferreira Leite.
"Mais vale ser mau aluno"
Admitindo que sente nas ruas "um enorme desânimo", e que "a manifestação é uma reação legítima das pessoas", Ferreira Leite acrescentou que, ao ouvir Vítor Gaspar a falar da tesouraria das empresas privadas se sentiu na União Soviética de outros tempos. "O ministro das Finanças a gerir a tesouraria das empresas privadas? Isso existe onde?"

Manuela Ferreira Leite acrescentou ainda que parece que "mais vale ser mau aluno...".

"Ainda não vi acontecer nada à Grécia, não era a nós que nos ia acontecer alguma coisa: não nos iria acontecer nada! À Grécia ainda ninguém lhe suspendeu os financiamentos... Tiveram uma revisão da divida... Até já tiveram alguns benefícios!" considerou a ex-ministra.
"Como se salta para o crescimento?"
Ferreira Leite pediu ainda explicações sobre os objetivos de toda a austeridade, dizendo "não sei qual é o interesse do aumento de impostos".

"Temos esta brutalidade de medidas que foram anunciadas para o orçamento de 2013 e se calhar ainda não sabemos tudo para passar de um défice de 5% para 4,5%. E eu pergunto como é que se passa de 4,5 para 2,5? E o que com o dobro, ou com o triplo das medidas que foram tomadas agora?", perguntou.

"Chegamos a que país?? O que é que resta? O que é que resta? Eu gostava que me explicassem também e não vi essa explicação em sítio nenhum, como é que se passa daqui, como é que daqui se salta para o crescimento..." acrescentou
"Deputados devem votar segunda a sua consciência"
Ferreira Leite aconselhou ainda os deputados a "votar o novo orçamento para 2013 "segundo a sua consciência", admitindo que podem renunciar ao seu mandato, recusando a ideia de que o Presidente Cavaco Silva possa ser aquela pessoa que "lava as consciências" daquilo que não foi feito por quem tinha responsabilidade para fazer.

Para a ex-ministra das Finanças, o que o governo tem estado a fazer aos pensionistas é "um logro" afirmando estar "convicta de que é absolutamente ilegal".

Manuel Ferreira Leite está ainda intrigada com o papel do parceiro do PSD na coligação governamental: "dá-me a sensação que o CDS não deve saber de muitas destas coisas, se não tem de prestar contas ao seu eleitorado", considerou.

Tópicos:

Cavaco Silva, Pedro Passos Coelho, Vítor Gaspar, Manuela Ferreira Leite,

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