Passos Coelho afasta possibilidade de crise política entre PSD e CDS-PP

| Política

|

O primeiro-ministro afastou esta noite um cenário de crise política provocado por divergências entre os partidos que suportam o Governo e defendeu que a coligação PSD/CDS-PP tem a obrigação de levar o seu mandato até ao final. Passos Coelho disse ainda que pretende estender o debate sobre a reforma do Estado até ao verão.

Numa entrevista à TVI, Pedro Passos Coelho afirmou que é falsa a ideia de que há um isolamento da sua parte e do ministro das Finanças, Vítor Gaspar, em relação ao resto do Governo e sustentou que toda a maioria apoiou o Orçamento do Estado para 2013.

Interrogado sobre quem é o número dois do Governo, o primeiro-ministro referiu a hierarquia formal: "O número dois do Governo é o ministro [de Estado e] das Finanças, evidentemente, e o terceiro é o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros [Paulo Portas, líder do CDS-PP].

Questionado sobre eventuais feridas provocadas por desentendimentos entre sociais-democratas e centristas, o primeiro-ministro comentou: "Nunca há feridas que não cicatrizem, as feridas cicatrizam, mas este não é um Governo cheio de feridas e cheio de marcas".

Passos Coelho acrescentou que "o Governo não está em crise, não está para cair", pelo contrário, "está a cumprir a sua missão histórica com muita determinação" e desvalorizou as diferenças entre PSD e CDS-PP.

"Apesar de tudo, o Governo tem o cimento suficiente para poder dizer ao país que não é entre o PSD e o CDS-PP que se gerará uma situação de crise no país. E eu acho que isso é importante. É a minha convicção", afirmou. Passos quer debate sobre reforma do Estado até ao verão
O primeiro-ministro disse que pretende estender o debate sobre a reforma do Estado até ao verão e dispôs-se a substituir as medidas que o Governo apresentará à `troika` em fevereiro, se depois surgirem alternativas melhores.

Pedro Passos Coelho reiterou que o Governo se comprometeu a apresentar à `troika` em fevereiro um conjunto de medidas de reforma do Estado que somem um corte de 4 mil milhões na despesa pública e, face à recusa do PS em participar nesse processo, nesta fase, vai fazê-lo sozinho.

No entanto, segundo o primeiro-ministro, o executivo PSD/CDS-PP vai defender perante o Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia que um período de três meses, até fevereiro, é insuficiente para debater a reforma do Estado, propondo que esse debate se estenda até ao verão.

"Um prazo de seis meses para fazer esta discussão é um prazo razoável", considerou.

Segundo Passos Coelho, as medidas que o Governo apresentar em fevereiro estarão condicionadas ao debate que vai decorrer até ao verão: "Se aparecerem medidas melhores, nós substituí-las-emos, proporemos à `troika` a substituição dessas medidas. Não queremos afunilar tudo em fevereiro".

O primeiro-ministro insistiu na importância da participação do PS no processo de reforma do Estado e afirmou esperar que o PS se envolva nessa discussão.

"O debate sobre a reforma do Estado não acaba nestes 4 mil milhões nem acaba em fevereiro", reforçou.

Tópicos:

CDS-PP, PSD, Primeiro-ministro, Passos Coelho,

A informação mais vista

+ Em Foco

Meio século depois, o Parlamento soviético dos finais da Guerra Fria repudiou o Pacto. Decorridos mais 30 anos, Putin quer reabilitá-lo.

    A receita da venda desta madeira ultrapassará os 15 milhões de euros, que devem ser investidos na nova Mata do Rei.

    Toda a informação sobre a União Europeia é agora agregada em conteúdos de serviço público. Notícias para acompanhar diariamente na página RTP Europa.

      Em cada uma destas reportagens ficaremos a conhecer as histórias de pessoas ou de projectos que, por alguma razão, inspiram ou surpreendem.