Portas diz ao PSD que agravar impostos "é aumentar recessão"

| Política

O líder do CDS-PP, Paulo Portas, rejeitou esta quinta-feira, no Parlamento, o cenário de um aumento dos impostos sobre o consumo, dirigindo-se ao PSD para defender que agravar a carga fiscal corresponde a “aumentar a recessão”. O recado à direção de Pedro Passos Coelho surgiu no debate de um diploma dos democratas-cristãos com vista à atualização das pensões mais baixas pelo valor da inflação - um projeto que acabou chumbado.

Nas horas subsequentes à demissão de José Sócrates, a liderança social-democrata admitiu vir a mexer nos impostos sobre o rendimento, desde logo no IVA. Em Bruxelas, Pedro Passos Coelho assumiu mesmo o “compromisso expresso” de que, “a haver algum ajustamento que seja necessário fazer, será mais por via dos impostos sobre o consumo do que do rendimento das pessoas através dos impostos, ou através de cortes salariais ou das pensões”. A partir da bancada parlamentar do CDS-PP, Paulo Portas fecha desde já a porta a esse caminho.

“Eu uso de franqueza. Quando concordo, concordo. Quando discordo, discordo. E tenho que vos dizer isto com toda a franqueza. Subir impostos é aumentar a recessão. Disse-o ontem e digo-o hoje”, afirmou o líder dos democratas-cristãos, dirigindo-se à bancada laranja. “Se as pessoas querem uma mudança em Portugal, não é para que fique tudo na mesma”, acrescentou.

A posição do presidente do CDS-PP foi reiterada durante o debate de um projeto de lei dos democratas-cristãos para a atualização das pensões mínimas sociais e rurais pelo valor da inflação. O diploma caiu por terra com o voto contra dos socialistas, a abstenção do PSD e os votos favoráveis das demais bancadas.

Conhecido o sentido de voto dos sociais-democratas, Portas acusou o partido de Passos Coelho de “defender os privilégios inaceitáveis dos gestores públicos que têm salários e prémios exagerados”. Disse também que “não é um bom sinal” o facto de os deputados do PSD permitirem que “as pensões mínimas, sociais e rurais fiquem congeladas”.

“Há muita gordura do Estado para cortar”

Ao apresentar o diploma, Paulo Portas argumentou que defender “o princípio, seja qual for o Governo, de que as pensões mínimas devem ser pelo menos atualizadas à inflação” equivale a “definir” uma “ética social” para o país. A medida, ilustrou, teria um impacto de 85 milhões de euros, ou seja, um montante análogo à fatura do projeto da alta velocidade ferroviária em 2011: “Atrasar o TGV e tratar de quem mais precisa. É uma questão de prioridades”.

Portas defendeu também a implementação de cortes nos “consumos inúteis do Estado”. Ao que o deputado social-democrata Adão Silva responderia com o “compromisso do PSD” de que, no futuro, “não haverá recurso a medidas que afetem as pensões mais baixas”. Até porque o PSD, arguiu, tem “um histórico de apoio aos mais desfavorecidos”. No que toca a medidas adicionais, reforçou Adão Silva, o partido “entende que há muita gordura do Estado para cortar”.

À esquerda, o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, acusaria o PSD de apenas se mostrar preocupado com as questões sociais num momento em que o país caminha para eleições antecipadas: “Já me repugna ouvir o discurso do PSD quando o PSD anda estes anos todos de mão dada com o PS a prejudicar os reformados, a prejudicar os mais carenciados. É repugnante”.

Pelo Bloco de Esquerda, a deputada Catarina Martins afirmou que Adão Silva falou no Parlamento para “pedir desculpa por ter aprovado o Orçamento do Estado” e “ter congelado as pensões”. “O problema é que as desculpas do PSD já não adiantam nada a ninguém. O PSD veio pedir desculpa e vem fazendo alguma campanha. Hoje é o seu dia de campanha”, ironizou.

Já a deputada socialista Isabel Coutinho acusou Paulo Portas de ter aproveitado o debate do diploma do CDS-PP para fazer “uma ação de plena campanha eleitoral”, já que “sabe que as pensões mínimas não vão ser congeladas”.

Tópicos:

Assembleia da República, Atualização, BE, CDS-PP, Debate, Diploma, Inflação, PCP, PS, PSD, Paulo Portas, Pensões, Projeto de lei,

A informação mais vista

+ Em Foco

A Grécia agradeceu a Portugal a solidariedade do país pela disponibilidade de receber mil migrantes e refugiados, atualmente alojados em condições precárias naquele país.

A receita da venda desta madeira ultrapassará os 15 milhões de euros, que devem ser investidos na nova Mata do Rei.

Toda a informação sobre a União Europeia é agora agregada em conteúdos de serviço público. Notícias para acompanhar diariamente na página RTP Europa.

    Em cada uma destas reportagens ficaremos a conhecer as histórias de pessoas ou de projectos que, por alguma razão, inspiram ou surpreendem.