Rio arrasa escolha de Menezes para o Porto por "obrigação ética"

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“Tenho a obrigação de me demarcar do meu partido”, afirmou o presidente da Câmara Municipal do Porto em entrevista à RTP
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“Desgostoso” com a cartografia eleitoral do PSD para o Porto, Rui Rio demarca-se do seu partido e desfere ásperas críticas ao candidato laranja à Câmara da Invicta, Luís Filipe Menezes, antevendo mesmo que o ainda presidente da Câmara de Gaia “vai destruir tudo o que foi feito”. A posição do autarca foi assumida ontem à noite em entrevista à RTP. No programa Portugal Hoje, Rio assestou também baterias à ministra das Finanças, referindo-se a Maria Luís Albuquerque como “uma pedra no sapato” do governo.

Está oficializada a cisão de Rui Rio com a estratégia da atual direção social-democrata para as eleições autárquicas a norte. O presidente da Câmara do Porto assume agora “a obrigação” de se “demarcar” do PSD. Mesmo que venha a ser “sancionado”. Na entrevista da noite de terça-feira à RTP, o autarca social-democrata frisou que estaria a ser “hipócrita” se avalizasse, por atos ou omissões, a transição de Menezes de Gaia para o Porto.
Ouvido pela RTP, o social-democrata Couto dos Santos disse-se “triste” com as palavras de Rui Rio. O porta-voz do PSD enfatizou ainda que não pode ser Rio a escolher o sucessor na Câmara do Porto. E considerou “estranho” que o autarca “tenha tido uma agressividade tão grande com o governo, nomeadamente com a ministra das Finanças”.

“Eu sei que aquilo tem a ver muito com os milhões que pretendia para gerir as suas expectativas de política pessoal”, acusou ainda o responsável laranja.

“Se apoiasse Luís Filipe Menezes era hipócrita. Se não dissesse nada era oportunista”, afirmou Rio, para reprovar o autarca de Gaia por fazer “promessas e promessas e promessas”: “Todos os dias”.

“Tenho a obrigação ética de me demarcar muito claramente do candidato que vai destruir tudo o que foi feito. Isto descredibiliza os partidos”, insistiu o presidente da autarquia portuense, acrescentando que “não é politicamente honesto” que o PSD altere agora “completamente” o discurso que manteve “durante 12 anos”.

“O candidato do meu partido ter-me-á feito maior oposição do que o PS nestes últimos 12 anos”, apontou.

Reclamando para a sua gestão uma linha de equilíbrio entre “austeridade, rigor e crescimento”, Rui Rio lamentou que a cúpula social-democrata não tivesse optado pelo candidato “que mais se aproximasse” da sua postura. Embora não considere ter “a obrigação de dar uma indicação de voto claro”. “O candidato do meu partido é precisamente aquele em que não posso votar”, sintetizou.

Questionado sobre uma eventual identificação com a candidatura do independente Rui Moreira, Rio disse que cabe aos eleitores fazerem “as leituras que entenderem”. Mas não deixou de assinalar o facto de haver figuras “de topo da cidade” entre os “impulsionadores” da investida do presidente da Associação Comercial do Porto. E desde logo apoiantes da carta aberta que a Câmara Municipal endereçou ao governo para repudiar a gestão do dossier da Sociedade de Reabilitação Urbana Porto Vivo.
Albuquerque, “uma pedra no sapato”

Na mesma entrevista à estação pública, Rui Rio não poupou a sucessora de Vítor Gaspar na pasta das Finanças, a propósito da controvérsia em redor dos contratos swap celebrados por empresas do Estado. No dia em que a ministra regressou à comissão parlamentar de inquérito, o autarca não hesitou em estimar que Maria Luís Albuquerque não reúne condições para se conservar no cargo.

“Se vivêssemos numa democracia adulta, uma pessoa que não diz a verdade toda – e pelo menos isso é certo que ela fez – não devia ocupar o cargo”, vincou o presidente da Câmara do Porto, para quem o executivo remodelado de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas “tem um problema neste momento”: “É uma pena ter aquela pedra no sapato”.


Foto: José Sena Goulão, Lusa

Evitando julgar se houve ou não uma mentira no Parlamento, Rio acentuou a garantia de que, “se fosse primeiro-ministro”, Albuquerque “evidentemente não seria ministra das Finanças”. Até porque a sua experiência das relações entre a Junta Metropolitana do Porto e a governante o leva a fazer uma avaliação “muito má” – segundo o autarca, também aquela estrutura advertiu Maria Luís Albuquerque sobre contratos swap da empresa Metro do Porto, mas ficou “pura e simplesmente” sem resposta.

Num balanço da crise política desencadeada pelas demissões de Vítor Gaspar e Paulo Portas e do desfecho conduzido a partir de Belém, Rui Rio deu como “corrigido” o “disparate completo” da primeira orgânica do XIX Governo Constitucional. Insistiu, todavia, na ideia de que “o elo mais fraco é este erro com a ministra das Finanças”. E o “reforço do CDS-PP” na atual composição do governo, com a ascensão de Portas à posição de vice-primeiro-ministro e a entrega da pasta da Economia a Pires de Lima, é para Rio “o preço que o governo pagou por manter a ministra das Finanças”.

Quanto ao pós-eleições, o autarca assegura que só “qualquer coisa transcendente e importante para o país pode alterar por completo” os seus planos: “A minha programação de vida é sair para uma atividade ligada à minha profissão de economista. Estou à procura de uma saída profissional fora da política”.

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