Socialista António Costa admite qualidades de liderança mas recusa timing

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O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa António Costa admitiu ter havido ocasiões em que desejou candidatar-se à liderança do Partido Socialista para a qual assume ter “algumas qualidades” úteis para o cargo mas vai lembrando que está de corpo e alma na edilidade de Lisboa e que não é o momento de discutir a liderança do PS. O momento é de analisar a politica governamental e aí Costa é muito assertivo nas suas criticas e ao afirmar que o Governo em vez dos "cortes à cega" se deve preocupar com o relançamento da economia.

António Costa era ministro de Estado e da Administração Interna do Governo de José Sócrates quando em 2007 abandonou o Executivo para encabeçar uma lista do Partido Socialista que concorria às eleições intercalares para a Câmara Municipal de Lisboa, fruto da queda do anterior executivo liderado por Carmona Rodrigues que havia sucedido a Pedro Santana Lopes.

Confessa que até pouco tempo antes da assunção dessa candidatura não se via à frente da autarquia da capital. “Já vi gente tão infeliz com imensos sonhos de vida que não realizaram e o que tenho visto é que a vida política é menos aquilo que nós queremos que seja, mas aquilo que em cada momento uma pessoa pode ser em função da utilidade que tem", afirma Costa na entrevista que deu à agência noticiosa Lusa.

Há muito desejado por muitos militantes socialistas – nos quais se incluem ilustres dirigentes e ex-dirigentes do maior partido da oposição – para líder do PS, António Costa explica que “nunca se verificaram as circunstâncias” para assumir o cargo.

"Houve alturas em que eu queria e não podia ser, houve alturas em que eu queria e havia pessoas mais bem colocadas, houve alturas em que não queria”, afirma o edil de Lisboa.

Mas Costa defende-se quando confrontado mais uma vez com a eterna questão de saber se tenciona candidatar-se à liderança do partido, dizendo que neste momento o PS tem um líder e não se coloca a questão da liderança. “Essas perguntas não se fazem em abstrato, fazem-se no momento certo, quando as oportunidades existem. Neste momento é um problema que não se coloca, o PS tem um líder. Se um dia estiver em discussão, poder-me-á fazer a pergunta e logo verei que resposta estarei em condições de dar", afirma.

Costa no seu estilo característico não exclui implicitamente a possibilidade de se candidatar à liderança do partido apesar de sempre ir afirmando que tudo está em aberto para se recandidatar à Câmara Municipal de Lisboa.

"Se me perguntar se eu posso ser guarda-redes do Benfica, digo-lhe claramente não posso ser guarda-redes. Ser secretário-geral do PS é diferente. Acho que tenho algumas qualidades que poderia mobilizar a favor dessa função. É uma pergunta que se pode fazer em abstrato, não se pode é responder em abstrato", sustenta Costa.

O antigo vice-presidente do Parlamento Europeu explica o seu afastamento quanto à política interna do PS com o facto do total empenho a que está devotado na autarquia lisboeta razão pela qual também não tem acompanhado com a devida atenção o desempenho do PS para poder “fazer uma avaliação muito justa do trabalho de oposição que o partido tem ou não feito na Assembleia da República".

António Costa não e visto habitualmente a acompanhar o secretário-geral António José Seguro mas desvaloriza a questão afirmando: "Não tenho estados de alma com o PS, nem creio que o PS tenha estados de alma comigo".
Depois de olhar para o umbigo, as críticas ao governo
António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, não deixa de ser o político incisivo e frontal que se tornou conhecido na Assembleia da República como parlamentar.

O Edil analisa na entrevista que concedeu à Lusa, a situação do país e a atuação do governo de coligação de direita que está à frente dos destinos da Nação.

Aqui neste ponto, Costa não deixa dúvidas e critica aberta e profundamente o Executivo de Passos Coelho a quem acusa de apenas “fazer cortes cegos” e não aproveitar as oportunidades para relançar a economia.
Quem é António Costa

Militante da JS e do PS, foi deputado na Assembleia Municipal de Lisboa (1982/1993). Entre 1991 e 1995 foi também deputado à Assembleia da República. Em 1993 candidatou-se a presidente da Câmara Municipal de Loures, sendo eleito vereador. Membro do Secretariado Nacional do PS por duas vezes (1987/1990 e desde 1994).

Integrou o XIII Governo como secretário de Estado (1995-1997) e ministro (1997-1999) dos Assuntos Parlamentares, assumindo a pasta da Justiça no XIV Governo (1999-2002).

Presidiu ao Grupo Parlamentar do PS, 2001/2004) e foi deputado e vice-presidente no Parlamento Europeu, 2004/2005).

Era ministro de Estado e da Administração Interna (2005-2007), quando abandonou o mandato para se candidatar às eleições autárquicas intercalares da Câmara Municipal de Lisboa, tornando-se assim o 66º Presidente. Saiu vencedor com 29,54% dos votos e conseguiu a reeleição em 2009 com 40,22% os votos.

António Costa lamentou que ainda "não se saiba nada sobre o que é que o Governo anda a fazer ou se anda a fazer alguma coisa" relativamente ao quadro comunitário de 2014-2020, que envolve uma "atenção nova para as cidades" na área da reabilitação urbana.

"Portugal terá vivido excessivamente dependente do setor da construção, mas não é de um dia para o outro que se pode prescindir de um setor que foi fundamental ao longo de 40 anos na economia do país. A reabilitação urbana tem não só essa função de criar emprego, de mobilizar materiais de produção nacional (madeiras, tijolo, cimento, vidro), como constitui uma mais-valia para o turismo, para a qualidade de vida das cidades e, portanto, tem impacto económico muitíssimo importante", defendeu Costa que considera ser um erro gravíssimo do Governo não ter criado no âmbito da reprogramação do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) uma linha fortíssima para a reabilitação urbana.

É por essa razão que António Costa não compreende porque é que a câmara da principal cidade do país – na qual estima serem necessários oito mil milhões de euros para a reabilitação urbana – não tenha sido contactada pelo Governo para que seja montada "uma grande operação de reabilitação urbana, quer na reprogramação do QREN, quer na preparação do quadro de 2014-2020".

"Estamos a ficar atrasados e a arriscar não utilizarmos todo o potencial", criticou acrescentando que é “uma oportunidade extraordinária: 2014 é já daqui a dois anos. Os regulamentos estão a ser fechados este ano e os projetos têm de ser fechados no próximo ano para poderem começar a estar no terreno em janeiro de 2014. Era fundamental que o Governo já estivesse sentado com as autárquicas, sobretudo com as das principais cidades”.

O atraso é tão mais difícil de compreender quando "todos percebemos que é necessário consolidar as finanças públicas, mas é incompreensível que se não aproveite as oportunidades que temos para relançar a economia".
"Muitos impostos, pouco relançamento da economia"
António Costa lança uma violenta crítica ao Executivo do PSD/CDS-PP, a quem acusa de estar "concentrado sobretudo no aumento dos impostos e no corte cego de algumas despesas, daí não ter resultado nenhuma consolidação das finanças públicas, como se vê pelos números de execução orçamental".

Comungando de críticas já feitas nomeadamente pelo seu partido, Costa insta o Governo a compreender que ao rigor da gestão tem de juntar o relançamento da economia, invocando o seu trabalho à frente do edilidade lisboeta para dizer que "se tivesse tido só rigor na gestão, muito daquilo que foi fundamental fazer para que a cidade fosse uma cidade viva não teria sido feito".

O impacto do aumento do IVA para 23% na restauração e no turismo deixa o Presidente da Câmara muito preocupado pelo impacto que terá no turismo, numa ocasião em a capital tem sido cada vez mais referenciada em guias para ofertas gastronómicas. Para responder a essas expetativas Costa considera ser necessário ter “uma restauração dinâmica e não uma que se asfixia no IVA”.

"O Governo tem de ter cuidado, tem que refletir. Algumas medidas manifestamente não estão a dar o resultado que era desejável e aí as pessoas têm de ter humildade para corrigir o que é necessário corrigir", defendeu.

A crítica aprofunda-se quando se analisam os resultados daquilo que Costa qualifica de “cortes à cega” na consolidação orçamental e que não se refletem na execução orçamental não havendo nenhuma consolidação mas antes “mais défice e mais dívida”.




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