Vítor Bento à RTP: a grande novidade é a conversão do PCP e do BE à austeridade

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Na Grande Entrevista conduzida por Vítor Gonçalves e emitida na quarta feira pela RTP 1, Vítor Bento escusou-se a emitir um veredicto categórico sobre as opções orçamentais do Executivo do PS.

O presidente da SIBS sublinhou que se trata de um Governo inicialmente considerado “improvável”, com uma duração que se previa curta, e que, nesse sentido, não surpreendem escolhas apontadas a uma mais rápida recuperação do poder de compra e a uma consolidação da base de apoio eleitoral.

Vítor Bento acrescentou que há várias opções políticas possíveis dentro do mesmo quadro de contenção orçamental e admite que a opção do Governo possa ser uma delas. Reconhece também que o Executivo de António Costa, pelo menos formalmente, se mantém fiel aos compromissos internacionais assumidos pelo Estado.


A interrogação que deixa na entrevista é a de saber se, finalmente, as opções tomadas poderão vir a comprometer, na prática, a consecução dos objectivos que continuam a ser proclamados. E, a jusante dessa interrogação, fica ainda uma outra: a de saber se, no caso de ser comprometida a estratégia de contenção do défice, a crise rebentará nas mãos do Governo actual ou nas mãos do próximo.

O banqueiro criticou ainda os hábitos de consumo e poupança, respondendo afirmativamente a uma pergunta sobre o carácter “cultural” da propensão excessiva para o primeiro. Segundo Vítor Bento, houve na história portuguesa recente níveis de poupança superiores, a coexistirem com níveis salariais inferiores; tal como continua a haver hoje países com baixo nível salarial e elevado nível de poupança como a China.

Por outro lado, sustentou que o Governo tem continuado a austeridade por outra forma, sendo a grande novidade política a da conversão de BE e PCP à necessidade de estabilização financeira. Segundo Vítor Bento, ambos os partidos confinaram o seu “radicalismo” à esfera da “retórica”.

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