Bombardeamento do Funchal

Max Valentiner afundou 300.000 toneladas de embarcações durante a Primeira Guerra Mundial. Nas suas memórias este verdadeiro terror dos mares descreve o ataque ao Funchal.

Ilustração Portuguesa
Hemeroteca Municipal de Lisboa
| Portugal na I Grande Guerra



Conhecia a Madeira dos seus tempos de cadete em 1902, e descreveu a ilha como tendo uma paisagem muito bonita, "uma imagem encantadora".

No dia 3 de Dezembro, o submarino U-38, proveniente da base austro-húngara de Cattaro no Mar Adriático, ataca a cidade madeirense naquele que seria "o único espaço português no hemisfério norte a sofrer um tal ataque directo".(fonte: "A Grande Guerra e os Espaços Insulares", CIERL)

Este ataque, planeado por Berlim, previa uma forte presença inglesa no porto do Funchal. No entanto, aí apenas se encontravam 3 navios e uma pequena embarcação da empresa de abastecimento de carvão Blandy.

O episódio tem algo de caricato. O comandante Max Valentiner temia ficar preso nas redes de alguns pescadores que se encontravam nas águas do porto. Para obter melhor visibilidade fez subir o periscópio e deu de caras com um pescador madeirense. Este, vendo o periscópio, fez uma expressão de terror, desatou a chorar e, de imediato, os pescadores madeirenses começaram a remar furiosamente para terra. Temendo que os pesacdores dessem o alarme, Max Valentiner resolve atacar.

Torpedeia a canhoneira da marinha francesa Surprise, o vapor Dacia e o navio francês de transporte de submarinos Kanguroo.



Canhoneira Surprise


Vapor C.S.S. Dacia durante e depois da explosão

Navio Kanguroo

Três torpedos, três navios ao fundo. 


Os fortes portugueses começaram a disparar mas o submarino alemão afastou-se cerca de sete mil metros, voltando a emergir e a bombardear a cidade durante cerca de duas horas, atingindo uma série de casas, mas sem provocar mortos ou feridos. O ataque visava as baterias, bem como a estação de cabos submarinos.


Biblioteca Pública Municipal do Porto

Receava-se que houvesse novo ataque durante a noite, pelo que os madeirenses fugiram de suas casas para o interior da ilha. As ruas foram patrulhadas por unidades do Regimento de Infantaria 27, houve recolher obrigatório depois das 21 horas.
Um dia depois do ataque alemão ao Funchal, A Capital noticiava ainda a intervenção de três submarinos alemães em vez de um.


Jornal A Capital – Hemeroteca Municipal de Lisboa

O ataque pôs a nú a fragilidade da defesa marítima e costeira. O porto do Funchal não possuía sequer redes anti-torpedo. A artilharia tinha fraco alcance e os navios-patrulha não possuiam capacidade para perseguir os submarinos eficazmente.

Diz o Capitão-tenente Adelino Rodrigues da Costa na Revista da Armada (283/284):
"A defesa marítima da Madeira apenas dispunha de 3 embarcações de patrulha,
respectivamente a Dory, a Dekade I e a Mariano de Carvalho, que dispunham de uma peça de 47 mm cada uma, distribuido-se pela sua guarnição mista um pequeno destacamento de 20 praças. A sua presença era pouco mais que simbólica e, sobretudo, dissuasora."

A protecção militar da baía era ainda garantida por duas baterias de costa, uma situada no Forte de S. Tiago, a outra na Quinta da Vigia.


Jornal A Capital – Hemeroteca Municipal de Lisboa


Jornal A Capital – Hemeroteca Municipal de Lisboa



Ilustração Portuguesa (nº 564) – Hemeroteca Municipal de Lisboa




Ilustração Portuguesa (nº567) - Hemeroteca Municipal de Lisboa

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