Cordão humano contra o encerramento da Maternidade Alfredo da Costa

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Cerca de seis mil bebés nascem todos os anos na Maternidade Alfredo da Costa
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A iniciativa Abraço à MAC, contra o encerramento da Maternidade Alfredo da Costa, junta esta terça-feira profissionais, utentes e familiares de pessoas que nasceram ou tiveram filhos naquela unidade. A decisão surgiu depois de o ministro da Saúde ter anunciado que a MAC iria encerrar durante esta legislatura.

Segundo a agência Lusa, que cita fontes clínicas, “a ideia do Abraço à MAC partiu de profissionais da instituição – médicos, enfermeiros e administrativos-, mas também de utentes e familiares de utentes que se consideram ligados àquela maternidade”.

Após as notícias contraditórias sobre o futuro da instituição, “o clima é de alguma expectativa”, acrescentaram as mesmas fontes.

Na passada quinta-feira, quando começaram a surgir as primeiras informações sobre o eventual encerramento da Maternidade Alfredo da Costa, os trabalhadores estiveram reunidos e manifestaram-se dispostos a avançar com diversas formas de luta em defesa dos postos de trabalho.

“Para já todas as formas de luta estão em aberto, incluindo a greve, as quais deverão ficar definidas num plenário que se deverá realizar na próxima semana”, afirmou Ana Pais, do Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública Sul e Açores, que acrescentou que “os trabalhadores estão unidos nas críticas à direção e dispostos a lutar pela continuidade da MAC”.
MAC encerra durante a atual legislatura
O ministro da Saúde adiantou ontem que o encerramento da Maternidade Alfredo da Costa “acontecerá de certeza durante esta legislatura”, acrescentando que o Governo não “tem qualquer intenção de desmembrar equipas”.

“Temos claramente uma intenção de, ao mesmo tempo que preservamos o know-how dessas equipas, potenciar a capacidade de outros centros hospitalares, como o Hospital de São Francisco Xavier, que está a funcionar a menos de 50 por cento, e onde foram investidas dezenas de milhões de euros em capacidade que não está a ser utilizada”, afirmou Paulo Macedo.

Para o governante, as preocupações do Executivo “não passam pela questão do edifício, mas sim pela preservação dos centros de excelência da MAC, como de outras unidades em Lisboa e noutras partes do país”.

No entanto, Paulo Macedo não adiantou a data certa para o encerramento, afirmado apenas que “será de certeza nesta legislatura”.

Segundo o ministro da Saúde, “a mesma coisa se passa no Hospital de Santa Maria que, com a transferência de partos para o Hospital de Loures, perderá um conjunto de partos e não faz sentido um hospital com todas as suas funcionalidades não ter uma maternidade e um número de partos significativos”.

Já no passado sábado, Paulo Macedo tinha afirmado ser “indispensável fazer uma restruturação na área da oferta de partos em Lisboa”.

“Lisboa tem hoje uma enorme capacidade excedentária nesta área, explicada pela abertura do Hospital de Loures, pela baixa natalidade e, sobretudo, pela ampliação das diferentes unidades da cidade e em seu redor”, realçou.

Sublinhando que “não se pode perder o conhecimento, a escola e o serviço que a MAC tem prestado”, o ministro da Saúde acrescentou que “também não se pode continuar a pagar esta capacidade e este desperdício concreto e claro que temos outras unidades de excelência como São Francisco Xavier, Santa Maria e Estefânia com capacidade por utilizar”.

“Não faz qualquer sentido ter uma maternidade isolada de um hospital central por causa de eventuais problemas que possam ocorrer com a mãe ou o bebé”, frisou.

Paulo Macedo rematou: “A questão é como vamos reestruturar sem desmembrar o essencial, mantendo as mais valias que aquelas equipas proporcionam e que têm de ser consideradas por isso, ao mesmo tempo como é que vou servir o resto do país onde há faltas pontuais e quando em Lisboa há claro excesso”.

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