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O Conde d´Abranhos

Alípio em armas

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Alípio em armas

Episódio 7 de 13 Duração: 60 min

Ás vezes recordava-se do seu antigo patrono Vaz Correia. A vida de deputado corria sonolenta. Foi talvez por isso que teve a sensação que o Ministério de Cardoso Torres, e que ele apoiava, estava por um fio. Quando um governo dá sono, é sinal que está moribundo e Alípio Abranhos decidiu que chegara a hora de mudar de bancada parlamentar. Era notória a simpatia do rei pela partido nacionalista de Guedes de Navarro. Depois, deputado por Freixo de Espada á Cinta não lhe assegurava grande estabilidade. Como costumava dizer, a política só faz sentido se se arriscar. Ora ficar naquela bancada que apoiava o moribundo governo era esperar sem esperança. Os melhores lugares estavam ocupados. Havia muitos familiares e amigos à espera de um lugar na política ou na administração. Precisava de dar nas vistas e assim preparou o salto. Se a coisa corresse bem, não só garantia um lugar de deputado para todo o sempre, como podia pensar mais alto. Um ministério, por exemplo.

E pronto. Medidos os prós e os contras, um dia em que menos esperavam, deu a golpaça. Depois de uma introdução em falava da sua profunda dor em separar-se dos seus amigos, como um Egas Moniz justificou a passagem para o outro partido : no dia em que vejo que eles impelem a minha Pátria - esta Pátria que amo mais do que amei minha mãe- para os abismos e para a ruína.

A confusão no Parlamento foi de arrasar e Zagalo ainda não refeito da surpresa, comentava: Gostei daquela parte em falou do amor da pátria maior do que o amor de mãe. Mas não tinha dito V.Exª que nunca conhecera a sua mãe?

- E quem te disse, Zagalo, que para amar a mãe, é preciso tê-la conhecido?

A pergunta era profunda. Tal como profundo foi o desgosto entre a família Amado. Logo agora que Alípio tinha sido pai. Logo agora que toda a corte que se juntava na sua casa, desde a Fradinho ao Doutor, passando pelo Coronel e pelo bacharel Tavares esperavam algumas nomeações de prestígio antes das próximas eleições. O desembargador voltou á antiga fórmula: "Eu sempre disse. É um banana!" enquanto Virgínia, a quem a maternidade deixara mais fogosa, paradoxalmente, lhe começou a virar as costas quando chegava a hora da cama.

Alípio resistiu ao desprezo, e até ao duelo que teve de travar com um deputado do seu antigo partido e do qual saiu sangrando um pouco de uma orelha e vomitando descontroladamente do medo que sentira.

Ficha Técnica

Título Original
O Conde d´Abranhos
Intérpretes
Paulo Matos, Sofia Alves, NIcolau Breyner, Rui Luis, entre outros
Realização
António Moura Mattos
Produção
Antinomia Prods.
Autoria
Francisco Moita Flores, baseado na obra de Eça de Queiroz
Música
Paco Bandeira
Ano
2000
Duração
60 minutos