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CV - Homenagem a Corsino Fortes

CV  - Homenagem a Corsino Fortes

O poeta cabo-verdiano Corsino Fortes é "um dos apóstolos da literatura cabo-verdiana" e um "grande patriota de uma grande generosidade elegância", afirmou o primeiro-ministro de Cabo Verde.

Discursando na cerimónia de entrega do Grande Prémio Literário Vida e Obra atribuído a Corsino Fortes pela Academia Cabo-Verdiana de Letras (ACL) para assinalar o 40.º aniversário da independência de Cabo Verde, José Maria Neves destacou o "homem plural" que deu um "grande contributo para a modernidade" do arquipélago.

Corsino Fortes, também presidente da ACL, não esteve presente no ato, dado que está em tratamento médico em Portugal - fez-se representar pelo filho, Corsino Alberto Fortes, ilusionista e contador de histórias -, mas foi anunciado que, em setembro, sairá nova obra do poeta e diplomata, intitulada "Sinos do Silêncio".

No repleto auditório do Banco Comercial do Atlântico (BCA), que patrocinou o prémio, no valor monetário de 500 mil escudos (4.534 euros), pontificavam também o ex-presidente cabo-verdiano Pedro Pires, vários membros do Governo, deputados, académicos, corpo diplomático.

O anúncio da atribuição do prémio foi feito a 03 de junho último por David Hopffer Almada, membro da ACL e presidente do júri que atribuiu a distinção que, além de um diploma, tem o mais alto valor pecuniário de sempre atribuído em Cabo Verde e que se extingue com o 40.º aniversário da independência, celebrado domingo.

Jorge Tolentino, poeta, escritor, membro da ACL e atual chefe da diplomacia cabo-verdiana, salientou à Lusa que a vida e obra de Corsino Fortes completam os cinco critérios impostos para o galardão, como o ter obra literária ampla e reconhecida a nível nacional e internacional e larga fortuna crítica sobre a sua obra dentro e fora do país.

Os restantes três passaram por ter obra de mérito passível de se constituir em cânone literário, ter obra de interesse universal que tenha suscitado estudos académicos a nível nacional e internacional e ter notoriedade nacional e internacional enquanto personalidade e individualidade do universo literário cabo-verdiano.

Durante a cerimónia, o BCA e a ACL assinaram um acordo para a criação de um prémio literário bianual, alternado com a edição de obras representativas das letras cabo-verdianas.

Corsino Fortes, 82 anos, natural do Mindelo (ilha de São Vicente), onde nasceu a 14 de fevereiro de 1933, foi o primeiro embaixador de Cabo Verde em Portugal, para onde seguiu logo após a independência, em 1975, tendo igualmente desempenhado cargos ministeriais em vários governos da primeira República (1975/91).

Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa (1966), presidiu à Associação dos Escritores de Cabo Verde (2003-2006) e é autor de algumas das mais significativas obras da literatura cabo-verdiana, destacando-se "Pão e Fonema" (1974) e "Árvore e Tambor" (1986) e "Pedras de Sol & Substância" (2001), livros de poesia reunidos na trilogia "A Cabeça Calva de Deus", também de 2001.

Corsino Fortes está igualmente presente em inúmeras coletâneas poéticas em Língua Portuguesa.