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Primeiros anos e juventude
Fernando Luís
de Oliveira Pessa, o jornalista mais velho do mundo, nasceu
a 15 de Abril de 1902 em Aveiro, na freguesia de Vera Cruz,
apresentando-se, por isso, como cagaréu.
A mãe, a personalidade
que mais o influenciou durante a infância, era natural
de São Tomé. Fernando Pessa costumava referir
que a ela devia o seu feitio. O pai era médico militar
mas, devido à falta de dinheiro, pediu licença
do exército e partiu para São Tomé e
Príncipe, deixando a mulher e os três filhos
em Portugal.
Em Aveiro, Pessa
viveu até aos dois anos. Foi em Penela, vila situada
entre Espinhal e Coimbra, que o jornalista recebeu a instrução
primária. O exame da 4ª classe foi feito em Coimbra,
em 1911. Pessa viveu na cidade do Mondego até 1921.
Concluídos
os estudos secundários, Pessa tentou concretizar um
sonho de infância: o ingresso na carreira militar como
oficial de Cavalaria. Porém, o Governo havia cancelado
as admissões à Escola de Guerra, gorando, assim,
o projecto do jovem aveirense.
Antes de embarcar
na carreira jornalística, Pessa trabalhou numa companhia
de seguros e num banco, onde esteve pouco tempo. Em 1926,
foi trabalhar numa seguradora no Brasil, tendo regressado
oito anos mais tarde.
Foi em Londres que
conheceu a sua esposa, Simone Alice Roufier, uma brasileira
de ascendência inglesa e norte-americana. Casou-se em
1947, quando regressou a Portugal.
Nasce um jornalista
Em 1934, formalizou
a candidatura aos quadros da Emissora Nacional, tendo ficado
classificado em segundo lugar e, como gostava de sublinhar,
sem cunhas. Iniciou, assim, uma carreira que nunca
tinha pensado seguir.
Com uma semana de rádio, Pessa fez a sua primeira reportagem:
a cobertura de um festival de acrobacia área na antiga
Porcalhota, actual Amadora.
Após quatro
anos de Emissora Nacional, o jornalista foi convidado para
trabalhar na BBC, em Londres, onde se profissionalizou e deixou
de andar às apalpadelas. Aí, Fernando
Pessa notabilizou-se como correspondente durante a Segunda
Guerra Mundial.
A censura e a restrição
das liberdades civis praticadas pelo regime de António
de Oliveira Salazar acabaram por contribuir para o crescendo
de popularidade das transmissões em português
da BBC.
No regresso a Lisboa, em 1947, Pessa viu a
sua reentrada na Emissora Nacional vedada por influência
do regime, sendo forçado a voltar ao ramo dos seguros.
Participou em dobragens de filmes e documentários,
nomeadamente O Último Temporal - Cheias do Tejo e Portugal
já faz automóveis, do cineasta Manoel de Oliveira.
O primeiro boneco na TV
A passagem para o fervilhante mundo televisivo
dá-se a 7 de Março de 1957.
A notoriedade alcançada enquanto repórter
de guerra na emissora radiofónica britânica garantiu-lhe
o passaporte para abrir a primeira emissão em directo
da RTP, produzida na Feira Popular de Lisboa. Na primeira
emissão da estação pública portuguesa,
Fernando Pessa contou com a colaboração de Maria
Helena Varela Santos, Vera Lagoa, Nuno Fradique, Jorge Alves,
Lança Moreira, Alberto Ribeiro e Raul Ferrão,
entre outros.
O jornalista entrou para os quadros da RTP a 1 de Janeiro
de 1976, com 74 anos.
A célebre expressão E esta,
hein? marcou a sua carreira como repórter televisivo.
A expressão surgiu como substituto dos palavrões
que tinha vontade de dizer quando denunciava situações
menos agradáveis do quotidiano do país.
Reformou-se em 1995, com 93 anos de idade.
Fernando Pessa faleceu segunda-feira, 29 de
Abril, no Hospital Cury Cabral, em Lisboa, poucos dias depois
de completar 100 anos.
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