"Silêncio
no estúdio" - A Televisão em Portugal vai começar...
1957, Março, dia 7, uma quinta-feira, 21 horas e 30 minutos. O
genérico e logótipo da RTP entram "no ar" acompanhados
de uma marcha que, apesar de não ter sido composta
originalmente para a RTP, acabaria
por ficar. Maria Helena Varela Santos dava então o seu "Boa
noite, senhores espectadores", e a partir daí a vida da RTP
e da televisão em Portugal começavam a ser contadas. |
"Noticiário"
e "Miradoiro" Gomes
Ferreira e Luís Arnaut Pombeiro
leram as notícias, às 22h. De seguida, a rubrica "Jornal de
Actualidades" mostrava imagens referentes a acontecimentos no
país e no estrangeiro. O desporto também não é esquecido, e a
seguir a um curto intervalo preenchido com diapositivos
turísticos, Lança Moreira fala sobre futebol, na rubrica
"Miradoiro", onde é entrevistado Rocha, um dos
jogadores da Selecção Militar de Portugal. |
2
horas históricas
Bem perto do final da emissão houve ainda tempo para actualizar a
informação, com a rubrica "Últimas Notícias". Após
isso, Maria Helena apareceu com o sorriso que a partir de então a
viria a caracterizar junto do público telespectador, encerrando
uma emissão histórica, quando a televisão estava prestes a
atingir os 60% de cobertura do território metropolitano. |
Acção,
Acção, Acção
A partir de então, e durante vários meses, todos os dias o
frenesim seria imenso, numa procura pela qualidade, pela
produção acertada e por horários cumpridos. Praticamente tudo
era feito em directo. Os programas eram ensaiados e os décors
desenhados e montados em tempo recorde - durante a tarde faziam-se
os ensaios e acertos técnicos, à noite os programas eram
emitidos em directo do estúdio, e enquanto isso os cenógrafos
procediam ao desenho dos cenários para os programas a ser
exibidos nos dias seguintes. Então, quando a emissão
"fechava", uma equipa começava a desmontar os cenários
desse dia, para, durante a noite e logo pela manhã, serem construídos e
montados os novos décors. |
Programação
A imagem era boa, o som dos melhores. Mesmo quem tinha visto
televisão nos outros países podia confirmá-lo: a qualidade
tinha sido uma das apostas cumpridas. Mas quanto aos programas...
Neste início da televisão em Portugal muitas eram as
preocupações, quer a nível técnico quer a nível da
programação, onde cedo se percebeu teria de se melhorar mais, ou
a novidade que os portugueses estavam a descobrir poderia começar
a esmorecer. Daí que, ainda hoje, esta seja uma das
preocupações centrais da RTP: programas que sejam atractivos
para o público em geral, para os vários públicos em particular
e que, concomitantemente, cumpram a missão central da RTP: ser um
serviço público de televisão, uma televisão de e para todos os
portugueses. |