Feira
Popular - a génese
Anunciada nos jornais e recebida com grande excitação, a
notícia das emissões experimentais na Feira Popular para a
televisão em Portugal despertaram em todos a curiosidade, fazendo
aí acorrer centenas de pessoas, que não queriam perder a
aurora da televisão no nosso país. |
No
ar!
Artur Ramos comandou as operações, quando apenas duas câmaras
em estúdio estavam disponíveis, e ainda apenas emprestadas. Um
pequeno emissor de fraca potência fazia a emissão do sinal. Mas
era na Feira que tudo se centrava. A imprensa visitou as
instalações onde a magia ia começar e, mais tarde, pelas 21
horas e 30 minutos, depois da primeira mira técnica, Raúl Feio
apresentava o programa da noite. |
Portugueses
- expectativa e espanto
Apinhada, a Feira Popular nunca pareceu tão pequena para tanta
gente. As pessoas aglomeravam-se, comentava-se o que se iria ver e
como tudo iria ser, e não demorou muito. Imediatamente
após o sinal no ar, o espanto e a emoção após as primeiras
imagens em directo que se podiam ver pelos cerca de 20 aparelhos
espalhados pela Feira fizeram vibrar todas as pessoas que
assistiam ao nascimento da TV em Portugal. Mas para além de
poderem ver, todos podiam contribuir com as suas opiniões sobre a experiência que foram as "demonstrações de
televisão", na Feira Popular de Lisboa, bastando para isso
preencher e entregar os impressos que estavam disponíveis no
local. |
O
Programa Segue Dentro de Momentos
Os primeiros "cartões" que avisavam das inevitáveis
falhas técnicas que uma emissão experimental e pioneira abarcava
não espantavam ninguém. Afinal,
tudo aquilo estava a acontecer ali mesmo, em directo e ao vivo, e
era perfeitamente natural que tal acontecesse. Hoje
não é tanto assim. |
A
Estrutura
Toda a operação decorria
num pequeno edifício pré-fabricado. De um lado, emissor,
telecinemas, controlos de estúdio e emissão; do outro, camarins
para artistas, sala de caracterização e um escritório; ao
centro, no cerne principal de edifício, o estúdio. |
O
Espectáculo
Música, exibições de ciclismo por Alves Barbosa,
espectáculos de magia, pequenos documentários, etc., tudo fez
parte de uma experiência inesquecível, e que serviu para por em
prática a curta experiência adquirida até então e testar o que
até aí não passara de teoria. Nervos à flor da pele não
faltaram, mas a cada novo dia a satisfação
aumentava, e no final, o orgulho pelo trabalho pioneiro cumprido
com profissionalismo e sucesso. Apesar de todas as dificuldades, a
televisão estava no bom caminho para avançar e, de facto, não
iria faltar muito... |
A
Equipa
Desde Artur Ramos, ao comando das operações a Henrique
Formozinho Sanches e José Joaquim Gomes nas câmaras, passando pelo
primeiro sorriso da televisão de Maria Armanda Falcão, até
Raúl Feio, Lança Moreira, Barradas de Oliveira, Aquilino
Mendes, Amadeu José de Freitas, Jorge Alves, Ruy Ferrão,
Rogério Paulo, Sara Vale, ou mesmo Raúl Solnado, muitos foram os
nomes e impossível é nomeá-los aqui a todos. Mas só uma equipa
com o empenho de um projecto novo e inovador em Portugal poderia
ter feito resultar tão bem estas "demonstrações de
televisão" na Feira Popular. |
...A
partir daqui o processo era irreversível!
A televisão em
Portugal não era mais um sonho - era um facto. |