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O programa dos "Antónios"     Havia quem o chamasse assim, mas o "Museu do Cinema" interessava mais do que apenas pelo seu nome. Um programa que mostrava muito em particular o cinema mudo, mas também outras produções, recuperando o melhor do que se havia feito, em Portugal e lá fora, para maravilhar os espectadores das salas de cinema. Os dois "Antónios" eram nem mais nem menos que António Melo e o grande António Lopes Ribeiro.

António Lopes Ribeiro      Nascido em Lisboa a 16 de abril de 1908, António Lopes Ribeiro é dos nomes mais importantes do cinema em Portugal. Aos 17 anos iniciava a sua carreira pela 7ª arte, como crítico nessa área, fundou depois várias revistas desse género e aos 20 estreava-se como realizador, com o documentário "Bailando ao Sol". Para além da realização abarcou ainda a área da produção, apoiando filmes como "Aniki-Bóbó", de Manoel de Oliveira. A televisão, a rádio e o teatro receberam igualmente grandes contribuições suas. 

Uma dupla mítica e bem humorada     Em frente às câmaras de "Museu do Cinema" era mesmo António Lopes Ribeiro quem conversava com o telespectador. É célebre a sua frase "...a TV não é senão o prolongamento do próprio cinema, como o cinema foi o prolongamento do teatro". Quanto a António Melo, ao piano, criava o ambiente propício para uma conversa íntima e mágica, mas eram só mesmo as cordas do piano que falavam, pois ele só se dava às palavras quando o seu colega Ribeiro o "espicaçava": "Ó Melo, diz lá boa-noite aos senhores espectadores!", e então o Melo sorria e falava... pouco, mas falava.

Museu do Cinema     É verdade que estávamos na era do preto e branco, que o programa tinha a palavra "museu" e que a nostalgia também o caracterizava, mas de modo algum era um programa aborrecido ou antiquado. Muito pelo contrário, despertava os espectadores para um cinema que muito poucos alguma vez tinham visto, e de uma forma descontraída, lúdica, inteligente e culta.