Espectadores
fiéis
Tendo começado nos anos 50 com a peça "O Monólogo do
Vaqueiro", a RTP continua na década de 60 com as produções
de grandes obras teatrais dos maiores nomes do teatro, nacionais e
internacionais. Mas vai acrescentando outros nomes, como os de
alguns argumentistas da própria RTP (Jorge Figueiredo de Barros
é um bom exemplo). Em média, cerca de 30 peças são produzidas
todos os anos durante essa década de 60, para serões que reuniam
famílias em volta da televisão. |
Grandes
realizadores
Uma década em que muitos
nomes confirmam o seu valor, alguns dos quais recordamos aqui. Ruy
Ferrão, por exemplo, continua a realizar com mestria e
perfeição, desde incursões mais "folhetinescas" até
outras de expressão mais teledramática. Do cinema chega
Luís Miranda, realizando peças de Júlio Diniz mas, de facto,
sendo mais feliz a trabalhar nos exteriores, fora dos estúdios de
palco e cortina. Nuno Fradique vai aos estúdios do Porto realizar
"A Lena e o Carlos". |
Grandes
actores
Fernanda
Borsatti tem uma excelente interpretação na peça "Querida
Sara", de Armando Vieira Pinto. Em "Cenas Da Vida De Uma
Actriz", Eunice Muñoz e Luís Campos fazem uma dupla de
sucesso. Luís Cerqueira é outro dos nomes que vale a pena reter,
e Jacinto Ramos e Carmen Dolores são um outro par que em "A
Bela Doroteia" cativa o público. Em 64 uma recriação de
"Os Três Saloios" trouxe Raúl Solnado aos palcos da
RTP. Contudo, um nome
inegavelmente marcante dos palcos desta década no teatro e na
televisão é Laura Alves, contracenando com Costinha em "A
Menina Feia" e com Alexandre Vieira em "A Flor do
Cacto". |
Grandes
produções
"Pedro, o Cru" foi das grandes produções do ano de
1966. Reuniu uma equipa gigantesca, num produto final que deixou
todos satisfeitos: Armando Vieira Pinto adaptou a obra de António
Patrício, Herlander Peyroteo realizou, António Casimiro esteve a
cargo dos cenários, e só intérpretes e figurantes eram, ao
todo... 150! A seguir, Palmira Bastos fez uma das suas melhores
representações de sempre, em "As Árvores Morrem de
Pé", de Alejandro Casona. |
Dias
de 120 horas!
No tempo do directo, não era raro os dias terem de ser
"ampliados", para poder colocar uma peça "no ar"
a tempo. Com o aparecimento do video-tape e a redução
do numero de peças produzidas as coisas ficaram mais calmas e o
ritmo menos propício ao stress, mas ainda assim não era
fácil coordenar actores, encenadores, gráficos, operadores de
câmara, cenógrafos e ser realizador de um trabalho que por vezes
em menos de uma hora era "consumido". |
O
processo antes
Realizadores e actores são normalmente os nomes mais referidos,
mas outros havia igualmente importantes para um trabalho que era,
sobretudo, de equipa. Os cenários, por exemplo, eram
importantíssimos para a "magia" do "faz de
conta". A direcção estava sob a alçada de Marcello de
Morais e mais tarde de Octávio Clérigo. Eram primeiro feitos os
esboços, de acordo com as necessidades e contexto da peça.
Passava-se à maquete. Depois vinha o trabalho de carpintaria, a
montagem final, sempre controlada de perto e finalmente a escolha
dos adereços. O realizador não raras vezes actuava como
encenador, e depois das últimas indicações das posições no
palco era tempo de concentração.
Estava-se já quase no "ar". |
Depois
Assim que a peça era exibida, muitas vezes começavam-se logo a
retirar os cenários para, na manhã seguinte, se começarem a
montar os novos. Isto no tempo do "directo", com duas
peças por semana. Depois
chegou a altura em que passou a realizar-se uma peça a cada 15 dias. Estava
assim encontrado o
ritmo ideal para colocar no ar peças de teatro com tempo de
preparação e a certeza de se manter sempre o bom nível de
qualidade do produto final. |