amália no teatro | Vitor Pavão dos Santos
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»Show Numa Aldeia Portuguesa. Copacabana Palace, Rio de Janeiro, 1944
(Col. Fundação Amália Rodrigues)

A opereta ficou em cena até 23 de Julho, e logo a 30 se estreava a revista Ó Viva da Costa!, composta apressadamente, com realização de Eugénio Salvador, e Amália com o nome sozinho e em enorme destaque, o veterano Carlos Leal como compère, Manuel Santos Carvalho e a “característica” Virgínia Soler. A revista teve boas críticas, mas só ficou em cena até 18 de Agosto, Amália preparava-se para conquistar o Brasil. Em Setembro de 1944, Amália fez a sua estreia no Casino de Copacabana, o local de maior prestígio da América latina, nesses anos de guerra. Mas não se apresenta apenas como cantora: preparam para a sua aparição um espectáculo, Numa Aldeia Portuguesa, cantando seis fados, dois com orquestra e os outros com o conjunto de guitarras de Fernando de Freitas, que viajara com ela para a acompanhar a rigor, tudo isto numa moldura muito bonita e com dois vestidos riquíssimos, umas casaquinhas com vastas saias em tons de vermelho escuro, um bordado a ouro e o outro a veludo preto, com vastos xailes bordados e até um avental ostentando o escudo nacional. Foi um enorme sucesso, ia com contrato para quatro semanas e ficou quatro meses. E pediram-lhe voltasse breve, com um conjunto de seis raparigas bonitas, para fazer uma grande digressão pelo Brasil.

Mal Amália chegou a Lisboa, muito festejada, começou a preparar o regresso ao Brasil, mas como não percebia nada de organizar companhias foi aconselhar-se com Manuel Santos Carvalho. E assim começa a aventura de Amália no teatro brasileiro. O veterano cómico viu ali uma oportunidade de fazer uma tournée ao Brasil, como se fazia antes, e, apoiado no grande nome de Amália, constituiu uma inteira companhia de revista, com cómicos, desde a sua mulher Ema de Oliveira a Virgínia Soler e ao jovem Humberto Madeira, e até a jovem Celeste Rodrigues, a irmã de Amália, que também já cantava.