Guiné - Autodefesa das Populações
A organização da autodefesa das populações começou a ser praticada na Guiné em 1964, sendo Governador e Comandante-Chefe das Forças Armadas o general Arnaldo Schultz.
Tentou-se, então, aplicar na Guiné esta modalidade de acção na defesa das pequenas aldeias, à semelhança do que antes já tinha sido praticado na guerra da Argélia pelo Exército Francês nos anos 60, e também pelas Forças Armadas dos EUA no Vietname.
A defesa terrestre da Guiné nesses tempos assentava num dispositivo militar muito disperso ocupando a maior parte possível do território com pequenas unidades, e em unidades de intervenção constituídas por tropas especiais (comandos, paraquedistas e fuzileiros) e por algumas companhias de caçadores estacionadas junto às zonas de maior actividade operacional.
Como é mostrado no filme em causa, em vários aldeamentos, em que a influencia dos chefes tradicionais leais a Portugal era segura e garantida, foram organizados e instruídos pequenos grupos de elementos da população, a quem foram distribuídas armas automáticas (G3). Estes aldeamentos em autodefesa existiram nas fronteira N com o Senegal e a leste com a República da Guiné, zonas das etnias felupes e fulas respectivamente. O conceito operacional assentava no principio de que estes grupos de autodefesa eram capazes de aguentar um primeiro embate, evidentemente no pressuposto de que os possíveis atacantes seriam pouco numerosos, enquanto que a unidade de quadrícula mais perto acorreria rapidamente aos primeiros tiros e resolveria a situação. Entretanto o PAIGC deu-se rapidamente conta do risco grande para a sua estratégia que tal procedimento poderia acarretar, e então passou a atacar com a maior violência estes aldeamentos. Com a dimensão e brutalidade do ataque, a unidade de quadrícula mais perto tinha de combater para chegar ao aldeamento, e a autodefesa planeada evidentemente não funcionou, o que trouxe como consequência a fuga de muitos elementos da população para os países vizinhos. O filme da RTP, embora de evidente propaganda, situa bem o problema, embora manipulando descaradamente os factos como seria de esperar nesses tempos. O sistema de autodefesa das populações não foi, ainda, abandonado, mas passou a existir apenas nas povoações onde estivesse sedeada uma unidade militar. Em 1968 com o assumir das funções de Governador e Comandante-Chefe das Forças Armadas na Guiné pelo general António de Spínola, o dispositivo militar terrestre foi alterado profundamente, com o abandono de muitas posições anteriormente ocupadas por unidades militares em todo o território, e a concentração dessas unidades em vários locais estratégicos com vista a dar possibilidade de acções ofensivas de envergadura. Os aldeamentos em autodefesa deixaram então de existir!

Os comentários aos diferentes Documentários foram efectuados em colaboração com a Associação 25 de Abril, e são da responsabilidade de:
Coronel de Infantaria - José Aparício
Coronel de Artilharia – Eduardo Abreu
Coronel Piloto aviador – Villalobos Filipe
Capitão-de-mar-e-guerra – Pedro Lauret
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