Geração de 60 - Diana Andringa
Neste trabalho de Diana Andringa é posto em contraposição o pensamento e atitudes dos próceres do Estado Novo e de algumas personalidades que se opunham ao regime, através de declarações dessas diversas personalidades e apresentação de imagens marcantes da década de 60, relacionando os factos, directa ou indirectamente, com os antecedentes que conduziram à luta armada para a independência das colónias portuguesas.

As grandes marcas deixadas pela campanha presidencial de Humberto Delgado contribuíram para agitar o pântano em que Portugal vivia e consciencializar os mais jovens de que «...não seria possível derrubar o regime sem ser pela força» (FC), ao mesmo tempo que a importância das transformações que percorriam o mundo inteiro com relevância para a Europa e África, fizeram dos anos 60 «uma década sem paralelo» (MF).

A posição de Salazar face à evolução natural que percorria o Continente Africano, qual último "cruzado" a bater-se pela defesa dos valores do Ocidente, conduziu à consciencialização de alguns angolanos de que as colónias portuguesas só seguiriam as pegadas de outras colónias africanas já independentes se enveredassem pela luta armada e, embora começassem por propor a forma pacífica para se chegar à independência, isso foi negado pela intransigência de Salazar que não respondeu ao Memorando em que alguns líderes políticos angolanos propunham a discussão do problema. Para ele, a independência das colónias, entretanto baptizadas de "províncias ultramarinas", não era passível de discussão, posição bem visível na entrevista que o locutor (francês) faz ao Ministro do Ultramar, Lopes Alves.

Estavam lançadas as sementes para o levantamento de 4 de Fevereiro de 1961 que, aproveitando a presença de numerosos jornalista portugueses e estrangeiros em Luanda para cobertura de uma eventual chegado do paquete Sta. Maria àquele porto, visava «...quebrar o mito da paz em Angola como resposta a Salazar e mostrasse que nem todos queriam ser portugueses» (JPA).

O ano de 1961 torna-se assim, "o ano de todos os perigos" como é intitulado neste trabalho, e fica marcado de forma atroz a 15 de Março pela violência indescritível e sanguinária da UPA de Holden Roberto sobre as populações do Norte de Angola.

O trabalho da jornalista Diana Andringa termina com uma referência à invasão dos territórios de Goa, Damão e Diu pela União Indiana, realçando de forma eloquente o autismo de Salazar que o leva a tomar atitudes de uma prepotência irresponsável, própria de quem já não compreende a realidade que o rodeia. Nada melhor para ilustrar esse facto do que a transcrição de parte da mensagem ao Governador Vassalo e Silva lida por Joaquim Furtado, em que o ditador determina o holocausto de todos os militares presentes no território: «... É horrível pensar que isso possa significar o sacrifício total, mas recomendo e espero esse sacrifício como única forma de nos mantermos à altura das nossa tradições e prestarmos o melhor serviço ao futuro da nação. Não prevejo possibilidade de tréguas nem prisioneiros portugueses como não haverá navios rendidos pois sinto que só poderá haver soldados e marinheiros vitoriosos ou mortos. Ataque que venha a ser desferido contra Goa deve pretender pela sua extrema violência reduzir ao mínimo a duração da luta. Convém politicamente que esta se mantenha ao menos oito dias, período para o governo mobilizar em último recurso as instâncias internacionais. ...».


Os comentários aos diferentes Documentários foram efectuados em colaboração com a Associação 25 de Abril, e são da responsabilidade de:
Coronel de Infantaria - José Aparício
Coronel de Artilharia – Eduardo Abreu
Coronel Piloto aviador – Villalobos Filipe
Capitão-de-mar-e-guerra – Pedro Lauret
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