Angola Março 67 - Asas no céu de Angola
Força Aérea - Angola Março 67 Filme dedicado à Força Aérea em Angola através de testemunhos e filmagens na Base Aérea n.º 9, em Luanda e no AB 3, no Negage. Após algumas imagens de introdução mostrando os helicópteros Al. III largando pára-quedistas em operação de heliassalto e saltando de um avião Nord Atlas, anuncia que vai apresentar um documentário intitulado "Asas no Céu". Após a imagem da placa de estacionamento dos aviões onde se podem visualizar os Nord Atlas, os PV-2, os Do-27, os F-84, somos conduzidos ao "breve" que antecipa uma acção de ataque aéreo a uma base dos combatentes da FNLA. Nesta operação vão intervir os caças bombardeiro F-84 e os bombardeiros PV-2 que executarão missões de bombardeamento sobre objectivos escolhidos que o Comandante do Grupo Operacional informa situarem-se a NE da Mata Bala, a norte do território, «...onde se acoitam dois dos principais inimigos - António Fernandes e Panzo da Glória». Será a Esquadra 93 dos F-84 que dirigirá o ataque principal, seguindo-se então os PV-2 da Esquadra 92. O Oficial de Informações completa o "breve" especificando que o ataque inicial será executado por uma parelha de F-84 voando a baixa altitude para permitir o ataque surpresa, seguindo-se outras vagas de aviões F-84 que atacarão o alvo principal e outros alvos satélites, após o que entrarão os aviões PV-2 completando o bombardeamento dos alvos. O operador seguia certamente a bordo de um dos aviões PV-2 o que lhe permitiu filmar o seu interior em voo e imagens do bombardeamento, não se vendo os F-84 em acção os quais, dada a sua maior velocidade, já teriam atacado os seus objectivos. O filme restante é dedicado a explicações mais detalhadas sobre as características e actuações de alguns dos diferentes aparelhos que equipam a Base Aérea n. 9, designadamente os PV-2 e os Al. III. Assim, vemos um piloto a falar sobre o PV-2 e as missões que executa e de seguida outro piloto fala sobre as características do Al. III o qual, por cada 600 horas de voo exige um somatório de 132 dias de manutenção. De facto, a natureza da estrutura do helicóptero, muito mais frágil do que a de um avião, e a dureza das condições em que actua e que faz deste aparelho uma «arma eficaz na guerra de guerrilha», implicam um desgaste rápido e a necessidade de intervenções frequentes a nível de reparações mecânicas e substituição de componentes. Termina com uma evacuação realizada por um Al III no mato, com aterragem final no Hospital Militar de Luanda. Se há aspecto em que a utilização do helicóptero se revelou de enorme importância neste tipo de guerra, foi na evacuação de feridos a partir do próprio local do incidente. Por vezes não havia condições favoráveis à aterragem do helicóptero, obrigando os pilotos e mecânico a verdadeiros trabalhos de perícia e de técnica, mas com a pronta intervenção deste meio aéreo que colocava os feridos directamente no Hospital, muitas vidas se salvaram, o que compensava os riscos que se corriam. Aspectos do Aeródromo Base n.º 3, no Negage, apresentado pelo locutor como «...o oásis implantado na ilharga de Carmona». De facto, este Aeródromo situava-se no coração dos "Dembos", isto é, no norte de Angola próximo da capital do distrito, Carmona, hoje Uíge. Constituiu uma importante base de apoio às operações aéreas no início das hostilidades em 1961, pois era uma base avançada relativamente a Luanda no território onde inicialmente actuavam os Movimentos de Libertação, dispondo de aviões caça-bombardeiros ligeiros T-6G (Harvard) e de transporte ligeiro e de reconhecimento, DO-27 (Dorniers). O filme cita, reportando-se certamente à data em que foi feito, a execução de 10.000 horas de voo em 9 meses e 10 horas num só dia, o que representa um notável esforço para os meios atribuídos. De seguida foca a descolagem de um avião Nord Atlas, avião bimotor de asa alta, de transporte de passageiros, carga e transporte operacional de tropas, podendo ser pára-quedistas para lançamento em paraquedas. O lançamento de paraquedistas sobre objectivos não foi muito frequente pois as condições do terreno e outros aspectos operacionais não eram favoráveis a este tipo de operação. Estes aviões eram também utilizados para evacuações nocturnas, o que era muito frequente, missão delicada pois as condições da maioria das pistas onde se operava era de terra batida, não tinha iluminação eléctrica e eram geralmente curtas, para além das condições meteorológicas em rota que podiam não ser as melhores. Nestas condições exigia-se aos Comandantes de Bordo extrema perícia e um conhecimento perfeito das pistas. Dados apresentados pelo locutor referem que a Esquadra 92 equipada com estes aviões tinha efectuado 17.300 horas de voo anuais com 7.900 saídas, transportado 63.000 passageiros e 4.112 toneladas de carga, tendo os seus pilotos voado mais de 300 horas em menos de três meses. É de toda a justiça realçar que este esforço, deveras notável, só era possível graças a tripulações de voo imbuídas por elevado espirito de missão, as quais não eram só constituídas por pilotos mas envolviam também mecânicos de voo, rádio-telegrafistas e, ocasionalmente, navegadores, para além dos mecânicos de 2.ª linha que na Esquadra de Manutenção de aviões faziam verdadeiros milagres dada a escassez de material sobressalente, cotando-se como técnicos de aviação de notável qualidade. É justo não esquecer o esforço destes militares e a sua contribuição para a operacionalidade dos escassos meios aéreos. Os aspectos operacionais que são apresentados a seguir prendem-se com o lançamento de carga em paraquedas. A reportagem termina com uma formação de seis F-84 sobrevoando a Base Aérea.

Os comentários aos diferentes Documentários foram efectuados em colaboração com a Associação 25 de Abril, e são da responsabilidade de:
Coronel de Infantaria - José Aparício
Coronel de Artilharia – Eduardo Abreu
Coronel Piloto aviador – Villalobos Filipe
Capitão-de-mar-e-guerra – Pedro Lauret
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