Cláudia Cardoso

A escolha absurda

Vivemos hoje confrontados com o desconhecido. E tivemos que nos adaptar, rapidamente, ao novo e ao inesperado. Um mundo saído de um filme de ficção científica tornou-se, subitamente, a nossa realidade. Compreendeu-se, de início, uma certa resistência à mudança. A dificuldade em aceder aos pedidos abruptos de confinamento. Porém, hoje, passados quinze dias sobre a ação determinada do Governo dos Açores em impor medidas já não se compreende. Custa a entender que, depois de, diariamente, verem imagens a entrarem ao minuto, pela casa dentro, continue a haver quem insista em ignorar os apelos. Quem tenha viajado para fora da Região depois dos avisos sucessivos para não o fazer. Quem tenha regressado aos Açores e feito a sua vida normal. Ignorando os apelos feitos, a quarentena determinada e a saúde pública. E não! Não vale dizer agora que não tinham sido avisados. Não vale invocarem necessidades de trabalho. Não vale refugiarem-se em desculpas. Como foi vedado ao Governo da Região o fecho completo dos aeroportos, os cidadãos continuaram a regressar à Região e trouxeram consigo o COVID-19. Pior. Neste momento há já na Terceira um caso de contaminação local. Porque as regras que se aplicam a todos, e das quais ninguém está isento, foram simplesmente ignoradas. Pondo em causa toda a comunidade. Pela falta de razoabilidade de alguns pode vir a pagar a saúde de todos. Parece impossível existir num momento desta tamanha leviandade. Diariamente o Governo Regional faz o balanço do evoluir de casos na Região, através do Diretor Regional da Saúde. Este tornou-se já uma referência incontornável para os cidadãos. A sua comunicação inspira tremenda confiança, através de discurso rigoroso, seguro e tranquilizador. Lamento que a falta de civismo de alguns ponha em risco a população e o trabalho sério que muitos desenvolvem neste momento. Certo é que, independentemente das consequências que a leviandade de alguns possa vir a ter, o bom trabalho do serviço regional de saúde, representado também na pessoa do Diretor Regional permite assegurar aos açorianos um capital de confiança nas instituições. No Governo. Na determinação da sua ação. A confiança nuns sedimenta-se e noutros, infelizmente, esvai-se. Como, diariamente, apela o Diretor Regional, façam a sua parte. Qual é a parte desta frase que ficou por entender? Ou melhor, tendo entendido a frase por inteiro, porque se escolhe deliberadamente não o fazer?