Cláudia Cardoso

Linhas vermelhas

Os números chocantes dos infetados diários nos Açores fazem soar todos os alarmes. Em março de 2020 as medidas de contenção adotadas foram-no perante um cenário muito mais favorável. O que nos leva à pergunta: como chegámos aqui? Desde logo a falta de previsibilidade sobre o cenário que o natal e final de ano trariam aos Açores, pelo regresso dos estudantes universitários, e pelo reencontro das famílias. Depois, um desinvestimento absoluto na testagem e nos serviços de apoio à situação pandémica. A linha saúde açores sem conseguir dar resposta às solicitações em catadupa, e sem coerência na informação prestada. Fica cada cidadão entregue ao seu sentido cívico, na falta de orientações claras. Neste momento, em que a calamidade grassa, ultrapassando os ativos a fasquia dos 5.000 nos Açores (número superior à população de muitas ilhas), há medidas que urgem ser tomadas. Desde logo, o reforço da testagem e da vacinação, e o reforço de meios humanos. É fundamental que a informação seja clara e precisa e que chegue às pessoas. Quando assim não é o sentimento de insegurança alastra. As pessoas perdem a confiança nas instituições. Entopem os serviços de urgência ou tomam discricionariamente as suas próprias decisões. Há infetados sem conseguirem agendar um teste PCR, quando o conseguem já passaram mais de 5 dias. A abertura das escolas foi adiada uma semana, tempo suficiente para se testarem os alunos antes do início das aulas. Começaram as aulas a 10 e a testagem a 13. Resultado: casos sucessivos nas escolas, turmas em isolamento, escolas fechadas, o caos instalado. As orientações emanadas pouco mais que desorientam. Estabelecer regras claras, disseminar a informação e reforçar os meios humanos é o que é preciso. Enquanto isso não for feito, a desorientação alastra como o vírus. E o caos impera.

claudia.cardoso9@gmail.com