Cláudia Cardoso

Novo ano, velhas guerras

O ano que acabámos de abandonar deixa um rasto de marcas em nós. Como todos, aliás. E o novo ano inicia-se com esta nuvem da tensão no Médio Oriente. O assassinato do general Soleimani pelos Estados Unidos abriu de forma abrupta a ofensiva e revelou um Presidente norte-americano com um discurso nacionalista, virado sobretudo para dentro, e com o horizonte eleitoral à vista. Porém, a recente retaliação do Irão, atacando bases americanas no Iraque já inverte esta premissa. Por um lado, a retaliação ficou aquém do esperado, por outro a reação dos Estado Unidos da América foi também ela parcimoniosa. Feita com tranquilidade pelo Presidente Trump, mais apostada no curso diplomático dos acontecimentos do que na guerra previsível. Defendendo com afinco a superioridade do arsenal bélico norte-americano e desvalorizando a postura do Irão o presidente norte-americano conseguiu surpreender. Referiu novas sanções a aplicar ao Irão, mas não especificou quais seriam. O mundo pasmou. Trump já não parecia ser Trump. Na verdade, o ataque do Irão sugestionou isso mesmo, um certo e inevitável absurdo: mísseis iranianos atingem duas bases americanas no Iraque e o mundo respira aliviado. Ao que parece os danos foram mínimos. A prudência atípica com que reagiu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a todos surpreendeu. Será uma nova postura da administração americana, agora apostada nas negociações diplomáticas ou será antes um simples movimento tático? Aguardemos pelo twitter. O que me parece é que, definitivamente, o perigo de conflagração no Oriente Médio não foi evitado, embora a precipitação bélica pareça subitamente menos iminente. O ataque com mísseis parece suficientemente doseado: grande o suficiente para que Teerão salve a face, mas dentro dos limites que pudessem conduzir a nova retaliação. A reação do Irão era esperada, porque o assassinato de Soleimani foi um ato de guerra que a liderança iraniana não podia ignorar. Certo é que com a aplicação de novas sanções, os EUA encetam uma guerra económica que estrangulará o Irão. claudia.cardoso9@gmail.com