Cláudia Cardoso

O apelo da cidadania

No próximo dia 26 de setembro seremos chamados a dar o nosso contributo de cidadãos à governabilidade local. Não é coisa de somenos. É a gerência da coisa pública no mais ao pé da porta. E verdade seja dita, as eleições autárquicas são aquelas em que a abstenção mais se esbate e dilui. Isto porque se tratam de eleições de proximidade. Talvez as que mais signifiquem aos olhos dos cidadãos eleitores. Conhecemos os de mais perto e é, por isso, mais fácil escolher aqueles com o perfil mais adequado à forma como queremos que seja gerida a nossa localidade, cidade, vila ou freguesia. Estas eleições tem a particularidade de terem algumas novidades, candidaturas de novos partidos, candidaturas de listas independentes, partidos a concorrerem coligados em diversas autarquias. Esta nova configuração pode levar a algumas alterações nos resultados eleitorais, ou pelo menos a baralhar as contas partidárias. Esta campanha fica igualmente marcada por um retorno progressivo à normalidade deste ato eleitoral, com uma longa pré-campanha e uma campanha já muito próxima ao cenário do passado pré-pandemia. Há temas fraturantes também, desde logo a da chamada bazuca e da perda significativa de verba por parte dos Açores. A nossa história municipalista adverte para a importância destas eleições. Nos Açores existem 19 camaras municipais, 155 freguesias, 11 forças politicas e três grupos de independentes a concorrerem às próximas eleições autárquicas. É difícil vaticinar o resultado nesta configuração arquipelágica tão diversa. O que se pode com segurança dizer é que a configuração governativa atual lutará por estender a mesma às autarquias, e a oposição, em particular o Partido Socialista, por manter a confortável situação de partido maioritário ao nível autárquico, com a consequente presidência da AMRAA. Não se afigura previsível que esta situação seja profundamente alterada. Até porque veremos como reage a população neste cenário, e se aproveita para penalizar a solução governativa de direita quando nas eleições legislativas regionais foi o Partido Socialista o vencedor. Porém, as populações distinguem cada vez com mais clareza os diferentes níveis de poder e sabem que o apelo autárquico é muito pessoalizado no candidato, mais do que no partido que o suporta, sobretudo ao nível da freguesia. Será interessante acompanhar a noite eleitoral e as mudanças ou reconfirmações do xadrez autárquico. E revela-se imperativo repensar a velha questão da atualização dos cadernos eleitorais e do combate à abstenção. É que, também nestas eleições, quem se abstém permite que outros decidam por eles.

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