Cláudia Cardoso

Os fundos europeus

O distante ano de 2020 aproxima-se agora a passos largos. E com ele a nova estratégia que está a ser delineada, e que anuncia previsíveis cortes para os países membros. Portugal sairá prejudicado com este anúncio, e os Açores, inevitavelmente, também, sobretudo em áreas como a agricultura. Para contrariar este cenário a aposta na ciência e na tecnologia poderá um dos caminhos. A estratégia do governo passa por atrair 2% do orçamento da UE para a investigação em Portugal, o que corresponde a cerca de 2000 milhões de euros num período de sete anos, evitando a concentração do investimento em ciência no centro e norte da Europa, o que tem vindo a potenciar parte da fuga de cérebros. Esta é a posição base de Portugal nas negociações com Bruxelas sobre o próximo Programa Quadro para a Investigação e Inovação da Comissão Europeia para 2021-2027. A estratégia da negociação portuguesa assenta em capitalizar novas áreas em que o Programa Quadro não preveja cortes no financiamento como é o caso da ciência. Deste setor pode sair também o apoio significativo para uma base espacial nos Açores, com todas as vantagens daí advenientes, mas o interesse de Portugal terá de ir ao detalhe e esgrimir com denodo os argumentos que escoram esta decisão. E explorar a posição privilegiada dos Açores no Atlântico norte à exaustão. Se se cumprir a aposta portuguesa estaremos face a um aumento muito considerável relativamente ao cenário presente, correspondendo a um financiamento médio anual de 300 milhões de euros na ciência portuguesa. Os Açores devem naturalmente marcar presença nesta negociação, pelas razões óbvias, pelo seu posicionamento estratégico, pela sua vasta área territorial marítima, e pela urgente necessidade de superar as fragilidades resultantes dos setores que se esvaziam, bem como da mudança da política americana relativamente à região. Saibamos nós aproveitar este espaço que se abre.

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