Eduardo Ferraz da Rosa

Uma Justa Homenagem ao Dr. Duarte Soares


Mal sabia eu, por aqueles anos 70 do século passado – e não é sem sobressaltada percepção do tempo na própria escrita – que componho estas palavras quando os dias começam a fechar-se nestes finais de Agosto e já se aproxima um esquivo calendário outonal, por entre expectativas de partidas e regressos.

Todavia, o motivo das lembranças é hoje a honrosa e significativa Homenagem que na sua terra natal foi prestada a Duarte Soares, Médico-Cirurgião que distintos caminhos de clínica e humanidade tem percorrido, desde aquelas épocas de estudante arribado a Angra – quase adolescente no seu buço retraído, como quando lhe destinei praxe académica, integrativamente pacífica e escolarmente fraternal, em iniciáticas voltas à praça que leva o nome do liberal (desiludido depois?) das Viagens na minha terra, do Portugal na Balança da Europa, da Lírica de João Mínimo e das Folhas Caídas... –, até agora, digo, à contemporânea nova Praça, na Urzelina, ilha de S. Jorge, que acaba de ser baptizada com o nome do Dr. Duarte Soares, e cuja Reportagem pode ser vista aqui: http://obreves.pt/2016/08/08/junta-freguesia-da-urzelina-homenageia-dr-duarte-soares/

Mas é mesmo por tudo isto que evoco hoje este Amigo e colega, e lhe dedico este texto (que mais podia aliás envolver muitos episódios de indefectível camaradagem, anos de convívio, trabalho, percursos e recursos da existência; alegrias e angústias do quotidiano, famílias, parentes; o Hospital, consultas, colegas e doentes duvidosos ou sós, ou que, fragilizados antes, partiram depois com renascido alento e esperança; sucessos e alguns desaires, porém, sempre, a vontade firme na persistência e na resiliência perante adversidades (antagonismos e ingratidões também):

– Tudo, enfim, do que temporalmente moldou a sua, as nossas e todas as vidas, feitas ou refeitas face às circunstâncias, ao destino, à sorte, ao mérito, à procura da felicidade, do lenitivo ou da cura possível para o(s) mal(es) do corpo-alma, nessa interminável busca de regeneração e de esforçada reconstrução humana, ética e espiritual de pessoas e valores, tal como o Médico confessaria ao filósofo, e vice-versa...

E ainda tal como tantos jorgenses, e todos quantos confiaram em Duarte Soares, em horas de carência ou aflição, o poderiam testemunhar, com gratidão, justo reconhecimento e partilhada alegria!