José Decq Mota

Festival Náutico e Festa Popular

Festival Náutico e Festa Popular Festival Náutico e Festa Popular

O título deste texto revela claramente que ele vai falar da Semana do Mar do Faial. De facto para se encontrar um grande e valioso festival náutico, associado a uma festa popular de vultuosa dimensão, tem que se vir ao Faial, na primeira semana de Agosto de cada ano.
Esta Festa , que já tem muitos anos, tem sido de primordial importância para a divulgação dos Açores, foi pioneira na abertura a uma oferta cultural de qualidade, soube aproveitar a profunda ligação que a Horta tem à navegação internacional de recreio, constituiu durante anos um polo de atracção para os praticantes de várias modalidades náuticas, é um privilegiado e escolhido ponto de encontro para conterrâneos que moram noutras terras e oferece um acolhedor ambiente de serena fraternidade, gerado por uma população que gosta e que se orgulha da sua Terra.
Falar da Semana do Mar é o mesmo que falar num acontecimento desportivo e recreativo náutico por onde passam mais de mil praticantes e é o mesmo que falar num acontecimento cultural que foi decisivo na criação da prática, em todos os Açores, de cá trazer artistas e eventos de grande projecção nacional e, mesmo, internacional. Longe vai o tempo em que alguns gostavam de impor, de forma artificial, o prolongamento de um certo isolamento cultural, que já não tem, nem sentido, nem razão de ser.
Falar da Semana do Mar é falar de regatas internacionais de vela, é falar de vela ligeira regional, nacional e internacional, é falar de canoagem e remo, é falar de natação, polo aquático, vela e remo em bote baleeiro, pesca desportiva, mergulho, motonautica, jogos de água e recreação náutica, mas é também falar das ciências do mar e das actividades económicas relacionadas, presentes num certame muito interessante, chamado Expomar. Somando a tudo isto, os grandes concertos, a feira do livro, o artesanato, as filarmónicas, o folclore, as exposições, a animação de rua, o cortejo etnográfico, a feira gastronómica e o parque da juventude, então o titulo escolhido está mais que justificado.
Entretanto é importante que não esqueçamos as raízes das coisas. A Semana do Mar começa em 75, por iniciativa do Clube Naval, constituindo  um programa recreativo e desportivo de recepção a uma regata internacional. Foi, no tempo, uma iniciativa com visão de futuro e que veio a ganhar, em poucos anos, uma grande projecção. Os seus primeiros obreiros merecem ser lembrados, quer os ligados à estrutura do Cube Naval, quer os ligados à Delegação do Turismo, que nesses primeiros anos foi um importante suporte da iniciativa. De entre todos os nomes que poderia aqui lembrar permitam-me que recorde apenas um, já falecido, sabendo que os promotores iniciais que estão vivos partilham comigo esta vontade de escrever, com as letras todas, este nome: estou a falar de Luís Fernando Gonçalves da Rosa, grande entusiasta do inicio da Semana do Mar, que, por o ter sido, merece o nosso reconhecimento.
É importante, também, termos consciência da evolução que se foi verificando, ao longo dos anos, em todos os aspectos da Semana do Mar. Desde a entrada da Câmara na organização, ao belíssimo programa dos 10º   aniversário; da ampliação das estruturas, até ás profundas alterações qualitativas dos últimos anos; da passagem de mostras a verdadeiras feiras do livro, de artesanato, de actividades económicas, de gastronomia; da realização de provas desportivas náuticas regionais, à realização de provas internacionais, tudo isso determinou um crescimento, com qualidade, do qual nos devemos orgulhar.
A Semana do Mar é, no fundo, uma verdadeira demonstração de muitas das capacidades desta ilha. A decisiva ligação ao mar e ao porto, que muita inveja causa noutras paragens, está, neste evento, totalmente presente. A capacidade de iniciativa nos planos cultural e desportivo náutico, embora com recursos financeiros limitados, está, também, bem presente. Os valores próprios de uma comunidade, que sendo pequena, é aberta á inovação e á convivência, são notados por quem nos visita.
Estar na Festa com o que temos e trazer à Festa outros, de outros lados, com os seus usos e costumes, é uma outra característica que nos valoriza. Mas a parte essencial deste Festival Festa são as pessoas. As centenas de jovens que participam no festival náutico e que, desde há três anos, desfilam, com alegria, no dia da abertura; os milhares de visitantes que por aqui estão nessa altura; os milhares de faialenses que se deslocam ao Largo, à Avenida e ao Cube Naval durante a Festa; os muitos conterrâneos que vêm, em toda a espécie de barcos, das ilhas mais próximas, são esses todos que transformam a Semana do Mar no acontecimento que demonstra que esta é uma ilha viva, que muito dá e vai continuar a dar aos Açores e ao País.
Uma palavra final é devida a todos os que constróem a Semana do Mar. A Câmara Municipal e toda a sua estrutura e o Clube Naval e todos os seus voluntários, devem ser referidos à cabeça pelo determinante papel que têm, mas não podem ser esquecidos muitos serviços públicos da Região e do Estado, a Câmara do Comercio, as Escolas, a Biblioteca, muitas empresas, as Juntas de Freguesia e Casas do Povo, as filarmónicas, os grupos folclóricos e muitos particulares, que dão contributos excepcionais.
A Semana do Mar ai está, a partir de 2 de Agosto, para dizer que o Faial está vivo e bem vivo!

Horta-29 de Julho de 2009

José Decq Mota