José Decq Mota

Lutas e lutadores “Doenças” e curandeiros

Lutas e lutadores“Doenças” e curandeiros Lutas e lutadores“Doenças” e curandeiros

É absolutamente claro que muitos dirigentes regionais do PSD e do PS toleram mal o Faial, não toleram a Horta e procuram prejudicar o desenvolvimento desta ilha e da sua cidade. Esse facto indesmentível expressa-se quase todos os dias e tem-se traduzido, desde os anos 70, na tentativa de neutralizar as potencialidades reais de desenvolvimento ao serviço das pessoas, que por cá existem. Já tentei abordar as causas dessa situação em artigo publicado há algum tempo e hoje preocupo-me essencialmente em tentar tornar claras as consequências que ela foi gerando.
Os faialenses transformaram-se, numa alta percentagem, em lutadores por objectivos justos, muito embora também existam aqueles que sempre se dispõem em aceitar, em facilitar e, mesmo, em viabilizar as intenções desajustadas dos que obstaculizam o desenvolvimento desta ilha.
A evolução politica do Faial, a partir de meados dos anos 90, demonstra que por cá nunca houve conformismo e demonstra que a luta dos faialenses conseguiu, no essencial, neutralizar as intenções dos que apostam na estagnação económica e social desta ilha e de todos aqueles que, sendo daqui, “fizeram o jeito” a esses lideres regionais. A Escola Secundária não foi feita pelo PSD e só foi feita pelo PS (contra a vontade do Secretário da Educação da altura) depois de uma longa luta politica e social. O mesmo aconteceu com a fábrica de lacticínios, a construção do DOP, a construção da bacia sul da marina, a ampliação do porto artificial, a conclusão da Biblioteca e Arquivo, a 1ª fase da variante e várias outras obras. Foram também as transformações políticas verificadas que criaram as condições para que a indispensável obra do saneamento básico e nova rede de água da Horta pudesse avançar.
A sociedade faialense está viva, com iniciativa cívica e cultural muito variada e de qualidade e apta a recuperar todos os atrasos impostos de fora.
Quando ouço Berta Cabral dizer, como disse, que “o Faial está parado no tempo” concluo que ela não sabe do que está a falar; quando ouço Luis Garcia fazer eco dessa declaração, concluo que o PSD/Faial, para tentar chegar novamente ao poder municipal, está disposto a tudo, incluindo a negação absurda da luta dos faialenses ao longo do tempo; quando leio um texto do anunciado candidato do PSD á Câmara da Horta, Arq. Paulo Oliveira, em que ele escreve que “o Faial está doente e a cidade da Horta está profundamente doente” concluo que o seguidismo de análise é um fenómeno lamentável, mas concluo, principalmente, que o subscritor da frase tem uma enorme dificuldade em valorizar e perceber o que tem sido a luta dos faialenses nos últimos vinte anos.
Os faialenses precisam de continuar a lutar, quer pelas obras indispensáveis, quer, principalmente, por um conjunto de projectos sociais, ambientais, culturais e económicos que visem uma boa qualidade de vida, num quadro de justiça social, de liberdade plena, de enriquecimento cultural, de abertura ao Mundo e de progresso económico com verdadeira utilidade social.
Precisamos dessa luta, na qual cabem todos os que acreditam nela; não precisamos de curandeiros para “doenças” que não existem.

Junho de 2009

José Decq Mota