José Decq Mota

Notas actuais para um recomeço

Notas actuais para um recomeço Notas actuais para um recomeço

Circunstâncias diversas da minha vida pessoal e profissional têm tornado difícil corresponder ao amável convite para publicar artigos de opinião com frequência regular neste espaço. Volto hoje com intenção de por cá aparecer com frequência. Tudo farei para que assim seja.
Retomo a minha colaboração com uma mão cheia de muito breves notas sobre a actualidade nacional, regional e local (do Faial).
1.    O 1º Ministro pediu hoje a maioria absoluta para o PS nas próximas eleições para a Assembleia da Republica. Tenho muita dificuldade em acreditar que um partido cujo Governo combateu e prejudicou tudo e todos, com excepção de quem detém os interesses económicos dominantes, possa aspirar a ter tal resultado. Os funcionários públicos têm consciência do que lhes aconteceu? E os professores? E os agricultores? E os trabalhadores do mar? E os pequenos empresários? Se tiverem, então o PS não atinge o que quer!
2.    O Dr. Jorge Sampaio, antigo Presidente da Republica, apelou recentemente à reconstituição do bloco central. Todos sabemos que as diferenças entre o actual PS e o PSD são mínimas. Também sabemos que nesta Europa de dirigentes que está a ser construída, já não há diferenças entre o PSE e o PPE. Será que Sampaio, fervoroso e acrítico defensor do tratado de Lisboa e da constituição europeia quer transferir, integralmente, essa similitude dos partidos do centro, da UE para Portugal? Parece-me bem que sim!
3.    Lá vão, em força, os Órgãos Regionais ao Canadá comemorar o Dia da Região. Nada tenho contra a comemoração do Dia da Região nas comunidades emigradas, bem pelo contrário. O que não me parece adequado é que essa comemoração, feita junto dos nossos conterrâneos emigrados no Canadá, seja montada como se fosse na Graciosa, Fores, Faial ou qualquer outra ilha, isto é, vai tudo. Vai o Governo, vão todos os deputados, vai um elevado número de funcionários, vai toda a comunicação social, vão os condecorados do ano, etc. Penso que se deveria fazer lá fora a comemoração mas com sentido das proporções, fazendo deslocar representações muito mais modestas. Estamos ou não estamos em crise?
4.    A propósito de crise é bom lembrar que a ALRAA, por proposta do PCP em sede de discussão do Orçamento, aprovou e dotou orçamentalmente a elaboração de um plano de combate à precariedade do emprego. Estamos todos à espera que sejam anunciadas as medidas que hão de levar à criação urgente desse plano. Haverá notícias sobre isto em Junho? Espero que sim.
5.    O “Santorini” estará ai, dentro de dias, para dar início à operação de 2009 com navios de transporte regular de passageiros e viaturas. É positivo que a operação comece na data anunciada e tal deve-se à persistência do Secretário Vasco Cordeiro. Não podemos é esquecer que toda a estranha história dos navios novos tem que ser totalmente esclarecida, sob pena de todos perdermos o respeito pelos Órgãos envolvidos neste assunto. Não será assim?
6.    O PSD/Faial, ora com aquele “ar conventual” que herdou de alguns dos seus primeiros dirigentes, ora com o estilo “copus night” praticado na Madeira e usado cá quando não se sabe o que se há-de fazer, vai dizendo, com manifesto desacerto, que a actual Câmara da Horta (PS-CDU) é a “pior de sempre”. Afirmações deste estilo garantem que as eleições autárquicas serão, pelo menos no Faial, disputadas com grande intensidade, pois os faialenses têm que defender a conquista que alcançaram em 2005 e que foi o fim da maioria absoluta governante no Município.


Horta, 10 de Maio de 2009