Luiz Fagundes Duarte

16 – 5: das duas, uma

16 – 5: das duas, uma 16 – 5: das duas, uma Crónica                                                       (10)
Luiz Fagundes Duarte


Pegando ao acaso em três jogos recentes de equipas portuguesas de futebol – o do Benfica contra o Olympiacos e o do Sporting contra o Barcelona, para a Taça UEFA, e o da selecção portuguesa contra a brasileira, em encontro amigável (quer dizer…) –, vem-me à cabeça, feitas as contas, este número mui pouco redondo: 16-5. Ou seja, em três jogos, somados, o Benfica, o Sporting e a Selecção Nacional – com tudo o que isso implica – apanharam com dezasseis golos e apenas conseguiram fazer cinco. Foram, como sói dizer-se, três bonitas banhadas: 5-1, 5-2 e 6-2.
    Há quem diga que dentro das quatro linhas tudo pode acontecer, que os árbitros são aquilo que se sabe, e que a bola, como a mulher da famosa ária do Rigoletto de Verdi, é uma volúvel: “La donna è mobile”… Mas isso é coisa que acontecerá às duas equipas em campo.
    Eu, que não gosto muito de futebol e pouco percebo da matéria, consigo mesmo assim chegar a esta brilhante conclusão: num país, como é o nosso, onde tudo parece girar à volta do futebol, e onde o futebol anda por esta miséria, então das duas, uma – ou somos todos burros, ou isto anda mesmo mal.
    Com franqueza, não creio que sejamos burros: em matéria de encontros internacionais, temos escritores que ganham prémios de prestígio, incluindo o Nobel; temos artistas plásticos representados nos maiores museus do mundo; temos investigadores que dão jogo em laboratórios de ponta nas mais diversas áreas científicas; temos invenções tecnológicas que exportamos para os países mais ricos e desenvolvidos, como o cartão multibanco ou a via verde das auto-estradas e parques de estacionamento; temos atletas que ganham medalhas olímpicas e em campeonatos europeus e mundiais, incluindo os paralímpicos; até temos um português que, apesar de ter sido fraco primeiro-ministro, tem hoje, como presidente da Comissão Europeia, um lugar importante entre os grandes do Mundo.
E depois, o Benfica, o Sporting e a Selecção Nacional contam com alguns dos melhores jogadores do mundo. Ora, se eles individualmente são bons ou muito bons, mas a trabalhar em equipa chegam a estes resultados, tenho que me inclinar para a segunda hipótese.