Luiz Fagundes Duarte

O doce encanto da Educação

O doce encanto da Educação O doce encanto da Educação


 

 

Parece que os partidos das oposições – sobretudo na dimensão nacional – descobriram o doce encanto da Educação: não há semana ou dia em que ela não apareça nos jornais, nas rádios e nas televisões como tema de almoços, debates, comunicados, conferências de imprensa ou ameaças de manifestações de rua. Isto seria bom se, como antigamente se dizia para o totoloto, não fosse fácil, não fosse barato, e não desse milhões.

         Na verdade, se há coisa que mexe em Portugal – é a Educação: nunca na nossa história se fez tanta coisa neste domínio, agindo sobre tanta gente e tocando em tantas áreas, como nos últimos anos. Igual preocupação política só terá paralelo no período do segundo liberalismo, quando o Estado se confrontou com uma realidade chocante: o analfabetismo em Portugal andava pelos noventa por cento, a léguas do resto da Europa – onde, sobretudo nos países protestantes, nem chegava aos dez por cento (e aqui tire-se o chapéu ao pragmatismo protestante: todo o cristão tinha o dever de ler a Bíblia, e para isso era necessário aprender a ler…).

         Ora, numa área assim tão activa, é fácil encontrar coisas muito boas, para louvar, e coisas menos boas, para criticar. Dependendo da posição de cada um perante o governo, mas tendo em conta que o papel histórico da oposição é atacá-lo (em vez de se apresentar como alternativa credível), quem quiser criticar tem a vida facilitada: de facto, de entre as muitas medidas concretizadas pelo governo, é fácil encontrar uma que permita o exercício da crítica destrutiva.

         Por outro lado, falar mal de um governo que faz muitas coisas é, além de fácil, barato: quem está na oposição pode prometer mundos e fundos, sóis e luas, que pelo menos nesse momento nunca terá que os concretizar.

         E dá milhões: perante a actuação de um governo reformista, e portanto causador de algum mal-estar nos sectores mais conservadores da sociedade, é fácil trazer multidões para a rua, acenando-lhes com a satisfação dos seus interesses corporativas – que nem sempre coincidem com os do país.¡