Osvaldo Cabral

Mais uma ligada às máquinas...



Como já aqui tinha alertado, a anunciada reestruturação do sector público empresarial da região (de que nunca mais se ouviu falar) ficou a meio gás.
O grosso da reestruturação vai ficar, certamente, para o início do último mandato de Vasco Cordeiro.
Quer queiram, quer não, serão obrigados a reestruturar as maiores empresas, porque se tornam insustentáveis dia após dia.
A Lotaçor é uma delas.
O que devia ser um Serviço Regional de Lotas, para regular, disciplinar e fiscalizar as descargas de pescado, está a transformar-se num enorme tubarão financeiro, mergulhado em águas turbulentas, à semelhança da Sinaga.
Só que, contrariamente à Sinaga, que deixou de ter função útil, a da Lotaçor é cada vez mais importante, quanto mais vão rareando os peixinhos no fundo do mar.
A Lotaçor, como se sabe, é uma empresa do Governo Regional que, seguindo uma linha empresarial pública do seu vice-presidente, rapidamente se tornou no “Grupo Lotaçor”, com brilhantes intervenções em empresas como a Espadapesca ou a Santa Catarina.
Chama-se a isso uma estratégia de integração vertical – que está cada vez mais a cair para a horizontal...
Ao todo a empresa gere 11 estabelecimentos de lota e outros tantos portos de pesca.
Pelas suas actividades de interesse público recebeu do governo, em 2016, qulquer coisa como 3,65 milhões de euros (recebeu ou não recebeu? Já nem se pode dar o pagamento por certo, tantas são as situações em que o dinheiro não chega!).
Em 2016 a empresa tinha 190 colaboradores e um capital próprio de 7.600.000 euros, queimados por 14.448.000 euros de resultados transitados negativos e arrefecidos por 9.902.118 euros, para um resultado final de cerca de 915 mil euros de capitais próprios positivos, em finais de 2016 (cerca de -1.082.000 euros em Setembro de 2017).
Os resultados transitados atingem os 14.448.000 euros, um registo notável de acumulação recente de prejuízos (que se agrava para -16.665.558,72 euros até Setembro de 2017).
Os proveitos registam 5.892.000 euros de vendas, + 9.090 euros de subsídios.
O restante quadro é este:
Custo com pessoal – 3.894.000 euros; Fornecimentos - 2.123.000 euros; Encargos financeiros - 1.232.000 euros; Resultados Líquidos -2.176.947 euros; Dívidas bancárias: 28.759.043 euros; Outras dívidas: 961.730 euros (Fornecedores) + 759.000 euros (Estado).
Total das dívidas: 35.400.000 euros!
Até Setembro de 2017 o total do passivo tinha-se agravado para 38,35 milhões de euros (+ cerca de 3 milhões).
Com cerca de 5,6 milhões em clientes (é preciso ter uma grande carteira para aguentar isto. E já agora quem serão?) não há por onde ir receber por fora para compensar o passivo, que é seis vezes maior do que os proveitos.
Só os juros levam mais de 21% dos proveitos.
Isto é uma instituição de financiamento ou uma lota?
Com um registo destes valores, tão expressivamente negativos, é mais do que evidente que temos aqui mais um negócio público ruinoso.
Tal como a Lotaçor, os exemplos são semelhantes nas outras empresas públicas, impossíveis de gerir com resultados desta ordem de grandeza.
Por razões meramente políticas, ninguém tem coragem para colocar um fim a tamanho buraco, tão grande como a Fossa do Hirondelle.
Ao empurrar para a frente, só se está a agravar o problema e a complicar ainda mais a respectiva solução.
Tal e qual a SATA.

Maio 2018
Osvaldo Cabral