Pedro Arruda

A galinha dos ovos de ouro

 O Turismo é sem sombra de dúvida uma das traves mestras do futuro dos Açores, junto com o sector primário (agricultura e pescas) que não deve ser desprezado. Mas o Turismo açoriano não pode nunca ser entendido como a proverbial “galinha dos ovos de ouro”, potenciador do enriquecimento fácil.

A galinha dos ovos de ouro A galinha dos ovos de ouro

Foi apresentado este mês, numa cerimónia oficial com a presença do Presidente do Governo e do Secretário Regional da Economia, o POTRAA – Plano de Ordenamento Turístico da Região Autónoma dos Açores. Paralelamente com os diversos sistemas de incentivos já em vigor o POTRAA pode e deverá ser um dos mais importantes instrumentos de trabalho num sector vital da economia e do desenvolvimento da Região, sector esse que de acordo com os números do próprio Governo Regional é já hoje gerador de cerca de 150 milhões de euros anualmente. A importância de um documento estratégico de ordenamento do sector turístico prende-se não só com a melhoria dos investimentos no sector e a sua sustentabilidade, mas e principalmente com o equilíbrio desses investimentos tanto no impacto que terão em cada ilha, como também no equilíbrio entre as diversas ilhas do arquipélago. O Turismo é sem sombra de dúvida uma das traves mestras do futuro dos Açores, junto com o sector primário (agricultura e pescas) que não deve ser desprezado. Mas o Turismo açoriano não pode nunca ser entendido como a proverbial “galinha dos ovos de ouro”, potenciador do enriquecimento fácil. O Turismo dos Açores só poderá crescer se for entendido em estreita relação com o Ambiente, o mundo rural, os transportes, a preservação da orla marítima, o mar, etc., etc. O grande desafio da nossa e das gerações vindouras prende-se com o difícil gesto de moderação entre interesses aparentemente contraditórios. Saber equilibrar os interesses legítimos de uma indústria turística com elevada margem de progressão, com os valores essenciais da preservação do ambiente, da qualidade de vida e da identidade do arquipélago é, no fundo, a principal tarefa que se apresenta hoje aos açorianos. Convém perceber que a “galinha dos ovos de ouro” não é o turismo per si, mas que o verdadeiro ouro que nos é dado e que temos a obrigação de passar para as próximas gerações, o nosso único bem precioso, são os Açores no seu todo, são estas nove ilhas no meio do Atlântico, que pela sua beleza e originalidade constituem a jóia mais preciosa de qualquer açoriano.

                                                                                                          

Pedro Arruda

Furnas, 22 de Março de 2008

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