Pedro Arruda

O nome na História

Um dos maiores desafios que Carlos César terá pela frente será aproveitar o seu papel catalisador para estruturar o PS-Açores para que este se possa unir internamente em torno de um projecto que vá para além de uma liderança.

O nome na História O nome na História

 

Numas eleições directas que foram um quase plebiscito Carlos Cesar foi aclamado, com 100% dos votos, presidente do PS-Açores. Daqui corre até Outubro para mais um mandato como Presidente do Governo Regional. O próximo mandato de Cesar apresenta diversos desafios relevantes. Por um lado é o mandato em que Cesar quererá, ou deverá, fazer uma conclusão daquilo que serão 16 anos de governo da região como, ao mesmo tempo, será, ou deverá ser, o mandato em que Carlos Cesar terá que fazer a transição do poder. No que toca á finalização do seu desígnio para os Açores importa a Carlos Cesar deixar a sua marca, a sua assinatura pessoal, em áreas vitais para o futuro desenvolvimento do arquipélago, nomeadamente: Transportes e Comunicações; Turismo; Ambiente e Educação. Independentemente de considerarmos se foi bem ou mal feito a verdade é que nos últimos anos muito foi feito nestas quatro áreas vitais. E isso deveu-se tanto aos milhões da UE como à liderança e opções políticas do Governo Regional. Os próximos quatro anos são o momento para Carlos Cesar aprofundar medidas, corrigir erros, fazer novas opções e delinear estratégias para o futuro. Ao mesmo tempo Carlos Cesar terá que se confrontar com um não menos importante desafio – a sucessão. Recentemente Cesar referiu que o PSD de Mota Amaral não soube nunca reconhecer os erros e por isso perdeu eleições. Um dos grandes erros desse PSD foi hipotecar o partido à figura omnipresente de João Bosco, esquecendo que um partido se faz de militantes, de estruturas, de acção na sociedade e de união em torno de um projecto político ideológico. Tão ou mais importante do que a assinatura que Carlos Cesar deixará na Governação dos Açores é a forma como conduzirá o dossier da sua sucessão. Um dos maiores desafios que Carlos César terá pela frente será aproveitar o seu papel catalisador para estruturar o PS-Açores para que este se possa unir internamente em torno de um projecto que vá para além de uma liderança. No confronto histórico entre os dois homens que lideraram a autonomia açoriana, tão ou mais importante do que os progressos governativos, será na gestão da passagem do testemunho que se distinguirá a marca dessas duas personalidades tão distintas e é também por aí que Carlos Cesar pode deixar o seu nome na história política dos Açores

Pedro Arruda

Fenais da Luz, 21 de Fevereiro de 2008