Desporto

Betinho sente-se grato por cultivar sorrisos no futebol

 

Antigo jogador e agora treinador trocou o Mira Mar pelo Vale Formoso. Por desacordo com as orientações da actual Direcção dos azuis aceitou o convite dos axadrezados. É a paixão pelo futebol que o mantém no activo.

Betinho sente-se grato por cultivar sorrisos no futebol

Betinho é um homem feliz pela forma como foi recebido na freguesia de Furnas © Foto: Acácio Mateus

 

Norberto Araújo é um nome indissociável do desporto no concelho da Povoação, ilha de São Miguel, mais concretamente na ligação ao futebol. Betinho, como é mais conhecido, tornou-se figura no Mira Mar mas é no rival Vale Formoso que agora exerce funções, mantendo-se em actividade depois de se afastar do clube do coração.

Nascido há 40 anos, Betinho sempre jogou no Mira Mar, escalões de formação incluídos, com excepção a uma passagem pelo Sporting Ideal, na série Açores da III divisão nacional. Jogou futebol durante duas décadas e depois de pendurar as botas enveredou pela carreira de treinador. Orientou os seniores e praticamente todos os escalões jovens, foi coordenador e também teve uma experiência no futebol feminino.

Para além de acumular diversas funções no terreno, exercia ainda as funções de secretário da Direcção. Mas em 2009 tudo mudou. Fez as malas e mudou-se para o rival Vale Formoso, onde actualmente treina os juvenis. Para trás fica um passado que é exemplo para quem o quiser seguir.

A questão que se coloca é: como acontece a saída do Mira Mar? A resposta sai com fluidez. «Estava saturado e em completo desacordo com a forma como o Mira Mar estava a ser conduzido. Senti que o meu passado e presente (à data da minha saída) mereciam outro tratamento e mais respeito. Entreguei uma vida ao clube, hipotequei-me por ele mas fui varrido na minha honra apenas por interesses. De qualquer forma é uma situação passada mas que me magoou muito», explicou.

Quase em simultâneo dá-se o ingresso no Vale Formoso, o eterno rival do Mira Mar. «Já conhecia o presidente, Sandro Ferreira, e perante a hipótese que me foi colocada de ir trabalhar para as Furnas, não hesitei em aceitar porque sabia que ele e a sua equipa tinham consideração pelo meu trabalho», recordou.

Trabalhar naquele que é o maior rival do Mira Mar não passou despercebido e as rivalidades antigas reacenderam-se. Betinho não esconde que a mudança mereceu críticas. «A aceitação de uma opção pessoal foi alvo de algumas críticas na Povoação mas, em sentido Inverno, fui muito bem recebido pelas gentes das Furnas. Talvez nem merecesse tanta consideração mas o que senti transmitiu-me uma auto-estima muito grande e, em abono da verdade, hoje também já sinto fazer parte da família do Vale Formoso».

Dedicado à causa, Betinho coloca no actual clube o mesmo profissionalismo e dedicação que deu ao Mira Mar. «Aqueles que me conhecem sabem que o futebol é parte integrante da minha vida e enquanto sentir forças e for aceite não abdicarei de lá estar porque no futebol continuo a receber a gratidão, a amizade e o sorriso de muita gente. É um trabalho para o bem comum, é isso que me move e é por isso que luto», vincou.

O futuro é uma incógnita mas Betinho não coloca de parte um regresso ao Mira Mar. Contudo, no actual figurino é certo que não volta. «Um dia pode ser que se aplique o ditado do bom filho que à casa torna, se é que sou considerado um bom filho. Em que condições? Não pensei nisso ainda. A única coisa que penso no presente projectando o futuro é ver os meus rapazes felizes, com vontade de serem homens e atletas, hoje melhor que ontem e amanhã ainda melhores que hoje».

Acácio Mateus