Desporto

João Botelho constrói rampa para um futuro melhor


Guarda-redes açoriano quer reconquistar na AD Camacha a projecção perdida no Santa Clara. Objectivo pessoal passa por regressar aos campeonatos profissionais.

João Botelho constrói rampa para um futuro melhor

João Botelho chegou a treinar no Operário mas o destino final foi a AD Camacha © Foto: Acácio Mateus


João Botelho foi jogador do Santa Clara durante dezoito anos. Começou a jogar nos encarnados de Ponta Delgada aos seis e até aos vinte e quatro só vestiu a camisola da águia açoriana. Actuou em todos os escalões de formação, desde as escolas aos juniores e cedo as suas qualidades fizeram-no entrar na equipa sénior.

Durante sete épocas viveu alguns dos melhores momentos do Santa Clara nos campeonatos profissionais, conviveu de perto com alguns dos jogadores nacionais e teve em Lucien Huth, o belga que fez de Michel Preud’Homme guarda-redes de topo internacional, um professor e um amigo.

Foi com aquele técnico de guarda-redes que João Botelho cresceu e melhor exibiu as suas potencialidades mas, aos 24 anos, foi forçado a abandonar o clube do seu coração. Depois de uma época sem jogar e em final de contrato, o guardião esteve com um pé no Sporting Ideal mas acabou por aceitar a proposta da Associação Desportiva da Camacha.

Em poucos dias o jovem micaelense viu o sonho de permanecer no Santa Clara transformar-se no pesadelo de estar à beira do desemprego. O clube da Ribeira Grande abriu-lhe as portas mas o desejo de competir num escalão mais acima fê-lo rumar à Madeira para uma nova experiência depois de quase duas décadas ao serviço do mesmo emblema.

Hoje, na AD Camacha, João Botelho não guarda mágoa pelo que viveu no último defeso mas teria decidido a vida mais cedo se soubesse que a esperada proposta nunca iria chegar. «Se soubesse o que sei hoje não tinha esperado tanto tempo. Sempre me foi dito para aguardar mas nunca me disseram nada. Esperei até mais não poder e quase não consegui arranjar clube para continuar a jogar», recordou.

O guarda-redes concentra-se agora numa nova etapa na vida desportiva. É o segundo clube que representa em dezoito anos de dedicação ao futebol, procurando na AD Camacha recuperar a visibilidade perdida. «É um projecto, a título pessoal, que poderá ajudar a valorizar-me. Estou num clube que compete no Norte onde estão inseridas diversas equipas da I e II ligas e pode ser uma rampa de lançamento para um futuro melhor», disse.

João Botelho mantém a ambição de chegar mais longe no futebol mas reconhece que agora tem de se focar no clube madeirense. «O importante agora é focar-me nos objectivos da AD Camacha porque só jogando é que poderei mostrar as minhas qualidades», sublinhou.

Jogar na II divisão não é o mesmo que estar num campeonato profissional mas o guarda-redes de 24 anos, natural de Ponta Delgada, não sentiu dificuldades na adaptação. «Existem diferenças porque em termos geográficos o meio é maior e a Madeira tem mais população que os Açores mas fui bem recebido e isso facilitou a minha adaptação. Sinto-me acarinhado pelas pessoas».

Acácio Mateus