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E.U.A. sempre em guerra

Crónica de Victor Rui Dores

E.U.A. sempre em guerra


Tudo começou a 16 de Setembro de 1620 quando os Piligrin Fathers, puritaníssimos, partiram da Inglaterra no veleiro “Mayflower” e, 66 dias depois, desembarcaram nos areais de Cape Cod e fundaram a Colónia da Baía de Massachusetts, no que viria a ser o embrião dos Estados Unidos da América.

Um país que nasceu de uma guerra violenta, a da Independência, após a qual nunca mais teve um só período que se pudesse considerar verdadeiramente pacífico: foi a Guerra Norte-Sul; foram as guerras e matanças gratuitas contra os Índios, tudo isto no meio de tiroteios e outras brutalidades que sempre marcaram o quotidiano do chamado far-west, e não só; foi a Primeira Guerra Mundial, seguindo-se a Segunda Guerra Mundial, na qual até nem pretendeu, de início, participar, mas a que pôs termo da forma mais violenta até hoje conhecida (Hiroxima); foi a Guerra da Coreia, seguida do Vietnam, do Afeganistão, do Iraque, com as episódicas invasões da Baía dos Porcos, de Granada, do Panamá e dos permanentes estados de alerta terrorista, além dos conflitos raciais que dominam o quotidiano de qualquer cidadão americano. 

Por conseguinte não será impunemente que os EUA possuam, nos dias de hoje, o maior arsenal de armas do mundo. Dada esta circunstância, este país nunca conheceu, em rigor, uma paz duradoura.

A facilidade com que, em terras do Tio Sam, se pode adquirir uma arma de fogo só pode resultar nesta simples operação aritmética: mais armas = + crimes + homicídios + violência. Atente-se nos tiroteios e massacres que vão acontecendo em escolas e outros espaços públicos americanos. Os números impressionam: só no ano de 2019, morreram, nos EUA, 11. 685 pessoas vítimas de arma de fogo, o que dá uma média pavorosa de 42 mortes por dia.




De resto, a fixação por armas vem desde a criação dos EUA e tornou-se um direito constitucional na Segunda Emenda, escrita em 1787, que assegura que o cidadão pode ter armas por segurança e para proteger o próprio território em caso de invasões. Com este direito assegurado, a indústria de armamento viu o poder económico e político crescer.

Moral da história: ontem como hoje, a guerra é uma poderosíssima indústria que rende milhões. Por isso, carradas de razão tinha o poeta António Aleixo quando escreveu esta quadra:

“À guerra não ligues meia/ Porque os grandes cá da terra/ Tendo a guerra em terra alheia/ Não querem que acabe a guerra”.

Não é assim, Mr. Trump?...















Victor Rui Dores