Sociedade

Greve de professores afeta escolas de Ponta Delgada

A greve dos professores fez com que muitos alunos de escolas do concelho de Ponta Delgada, nos Açores, ficassem hoje sem aulas, mas os principais estabelecimentos de ensino estão de portas abertas.

Greve de professores afeta escolas de Ponta Delgada


Na escola do 1.º ciclo e jardim-de-infância de São Pedro, a maior do concelho deste nível de ensino, muitos pais aguardavam, expectantes, notícias sobre os professores dos filhos.

"Não sei se o meu filho vai ter aulas. Estou a aguardar que os funcionários digam algo", disse Teresa Raposo, em declarações à agência Lusa, sustentando que "a incerteza causa transtornos".

Idêntica opinião manifestou Maria Ponte que acabou por regressar com a neta a casa, porque "a professora fez greve".

"A minha filha que está na quarta classe teve aulas", disse, no entanto, Carla Andrade, afirmando que "ouviu nas notícias" que hoje era greve dos professores.

Também no centro da cidade de Ponta Delgada, junto à Escola Secundária Antero de Quental, alguns alunos acabaram por não ter a primeira aula do dia.

Foi o caso de um grupo de cinco estudantes do 11º ano que aguardava, no entanto, num jardim exterior ao estabelecimento de ensino, para saber se teriam os restantes tempos letivos.

Na Escola Secundária Domingos Rebelo, na cidade de Ponta Delgada, também faltaram alguns professores ao início da manhã.

Para Rafael Oliveira e Francisco Couto, alunos do 7º ano daquele estabelecimento de ensino, a primeira aula do dia da disciplina de Teatro, "já foi", uma vez que o professor fez greve, embora não saibam ainda se vão ter mais aulas o resto do dia, segundo explicaram à Lusa.

Dirigindo-se para o centro comercial em frente ao estabelecimento de ensino, um grupo de três estudantes afirmou também à Lusa que ficou "sem a primeira aula, devido à greve".

Na Horta, um grupo de cerca de 30 professores da Escola Básica e Integrada António José de Ávila, manifestou-se no exterior do estabelecimento de ensino, empunhando cartazes em sinal de protesto contra o "apagão do tempo de serviço" na carreira docente.

Apesar da chuva que se fazia sentir, os professores seguiram a pé até à sede do Parlamento dos Açores, e entregaram ao chefe de Gabinete da Presidente da Assembleia, um memorando com as suas propostas de alteração da contagem de tempo de serviço, que pretendem ver discutidas pelos deputados regionais.

Contactada pela Lusa fonte da secretaria regional da Educação e Cultura remeteu para o final da manhã dados sobre a adesão à greve.

O Sindicato dos Professores da Região Açores (SPRA) tem previstas hoje concentrações, com entrega de uma resolução, junto ao Palácio de Sant'Ana, sede do Governo dos Açores, pelas 16:00 locais (mais uma hora em Lisboa) e em Angra do Heroísmo, ilha Terceira, na secretaria regional da Educação e Cultura.

Os professores realizam hoje uma greve geral.

Em causa está a decisão de não contagem do tempo de serviço prevista na proposta do Orçamento de Estado para 2018 (OE2018), que será debatida hoje no parlamento.

Lusa