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"Um Homem Sozinho não faz um Exército"

De 1 de julho a 27 de agosto, às sextas e Sábados às 21h30, na Quinta da Ribafria em Sintra.

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Um Homem Sozinho não faz um Exército

Sérgio Moura Afonso, encenador escolhido por Eunice Muñoz para o espectáculo de encerramento dos seus 80 anos de carreira, traz agora a cena Anton Tchekov na Quinta da Ribafria, no fabuloso cenário natural de Sintra, entre julho e agosto.

"A pouca distância de sua casa, ocorrem factos deploráveis, que me sinto obrigado a levar ao vosso conhecimento. Todos os camponeses deixaram tudo o que tinham a fim de poderem emigrar para a província de Tomsk. Aqui, escusado é dizê-lo, não possuem nada. Tudo está nas mãos de doutros. Em suma, não têm nada que comer. É a fome. A enfermeira visitadora conta o seguinte: "Não há ninguém para trazer água nem para a dar aos doentes e o único alimento destes são batatas congeladas".

"O que parece ser um relato do muito recente conflito entre duas nações vizinhas, é na verdade parte do prólogo com que se dá início ao texto de Anton Tchekov, escrito em 1895, alguns anos antes da Revolução Bolchevique. 

Três atores, três personagens, três narradores presentes que nos transportam para dentro de uma realidade moscovita do final do século XIX, mas que na verdade está ainda bem presente, infelizmente, nos nossos dias. A fome, a miséria, a misoginia, o controlo psicológico, a sedução das palavras, o populismo e apatia generalizada que nos remete para uma ideia de conforto que não só é enganadora como reconfortante para que não haja qualquer possibilidade de um confronto com o nosso espelho.

Foi com estes pontos essenciais da obra, que se cruzam à nossa frente praticamente todos os dias, que surge a vontade de contemporizar e dar novas leituras à obra. Ainda assim, quando esta mesma vontade surgiu, longe estávamos de poder imaginar o que no panorama internacional estaríamos todos a assistir. Falamos das convulsões políticas na guerra que se avizinha cada vez mais próxima. O abandono, as atrocidades, a pobreza e miséria gerada, tudo isto é abordado neste espetáculo que nos transporta por referências originais para um São Petersburgo abastado e para uma Odessa empobrecida. 

Tchekov teve como propósito escrever tragicomédias que de certa forma expusessem e ridicularizassem os costumes, a política e a sociedade da época. No entanto com o crescimento do teatro moderno começou a sobressair o psicologismo das personagens que nos remete nos dias de hoje para uma tragédia sem deixar perceber a ironia da vida.

Com o Apoio da Antena 1!